quarta-feira, 3 de maio de 2017

POR FAVOR ENTRE, NÃO É SEMPRE QUE ME ENCONTRO ASSIM.

Por muito tempo sonhei com amor, com as instituições legais da felicidade, era coisa de criança, uma época distante em que a inocência habitava em mim, mas cresci e crescer não é tão bom quanto parece. Me golpearam com força as porradas do se perder, se perder para se achar ou encontrar, algo assim, mas não é tão belo como na frase, como na teoria ou na poesia...

Perdi mesmo. Me perdi de mim, perdi os outros, perdi os planos, perdi os sonhos e a crença em finais felizes. Contudo, isso não seria problema se apenas eu fosse o mal da Terra, porém, as pessoas são más, são vazias e completamente interessereiras. E eu, justo eu que pensei que nada mais me restava para perder, para destroçar-me, me pego novamente buscando amor, buscando olhares, um toque, algo além da pele, um abraço sem segunda intenção, além do instinto animalesco que toma conta de nós em determinadas situações. Apenas queria sentar ao lado de alguém e poder rir é sonhar.

Faz tempo que não sonho, que não faço planos, que não tenho com quem dividir coisas corriqueiras. Estou há muito tempo praticando o desapego o ame e deixe ir que volta... Viver assim é uma puta de uma mentira, das mais nojentas. Nada nunca volta, nunca me amaram tanto a ponto de não querer partir. Nunca me senti importante. Clichê? Sei bem disso, mas saiba que as vezes nessas veias o sangue ferve por sorrisos, palavras, carinho. Não são apenas fodas selvagens que me tiram o ar, que me dão vida...

Choro diante de cenas de amor, eu  invejo trocas carinhosas de olhares e respirações sincronizadas. Existem noites em que vibro com poesia, aumento minhas músicas e desabo sozinha. Isso tem sido rotina. A rotina me destrói.

Finjo muito bem cercada de desconhecidos, as máscaras me servem e tudo está sempre na mais perfeita harmonia. Meu fraco são os demônios, diante deles não consigo fingir. Não consigo ser menos. Os demônios sabem que com eles, e somente pra eles, eu mergulho em absurdos e exageros. É ridículo, eu forço a barra. Ou forçava? Acho que na verdade tudo tem me cansado muito. Correr atrás, se doar, estar presente, são coisas dificílimas de se fazer utilizando uma força só. E eu cansei.

Mais pelo desamor, na verdade. Talvez seja a falta da recíproca que canse a gente. Olha, eu não consigo relaxar, minha cabeça vive a mil por hora. É o signo, é a TPM, é o trabalho, a carência, a puta que me pariu e que nos acolhe tão bem.

O que eu quero? Gostaria de saber quando é que você lembra de mim, quando e o quanto sente minha falta... Só nas suas trevas? Eu tenho espaço na sua redenção? Qual música poderíamos dançar juntos? São coisas simples. Apenas diga e pronto, encerro os dramas.

Estou acostumada a ser ignorada, queria experimentar ter um pouco de atenção. Ou não. Essa coisa também cansa, me assusta. Mas me chama, me grita de saudades, diga onde está você?  Pode até telefonar. Eu, que detesto expor minha voz eletrônica, adoraria virar horas na linha contigo.

São poucos que despertam esse vazio em mim, eu sigo fugindo desse bicho maluco beleza que sou. Não há como ser sempre na mesma intensidade, e dói ainda mais tentar aprender isso. Posso até assustar, mas acredite, sinto tão ou mais do que qualquer vadia por aí. Não me jogue no cesto das vagabundagens comuns. Acontece que meu demonstrar é estrondoso, acho que até afasta. Por vezes me faz ter vergonha de sentir, de querer, de me permitir a um simples afeto que seja. Releve as minhas neuras. Me convida pra dormir e me envolve num abraço? É por cuidados  que clamo, tenta me ler, senta aqui perto e tenta me entender. Faça um esforço.

O desamor cansa, esse jogo besta dos jovens em que é vencedor aquele que demonstra menos. Isso não é pra mim. Essa porra toda cansa. Você sabe como é, as pessoas, a sociedade, as amizades, o casamento. Tudo te cobra, mas não investe, não trás retorno.

Não faço cobrança por pouco contato, acho que te ver pouco alimenta ainda mais o que sinto. Te ver um dia no mês, já vale pelos próximos cinco que estaremos fora um do outro. Antes eu pedia por almas, hoje só quero troca. Poder descansar em ti, e também em mim. Gratuitamente. Em paz.

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