sexta-feira, 7 de abril de 2017

VOCÊ ME PERGUNTOU SE EU ESTOU BEM?

Tenho andado caralhosamente com as ideias desgraçadas, mais do que o habitual, não sei se é a crise dos vinte e cinco anos que me sufoca a cada dia, ou outra coisa que ainda desconheço o nome, mas que vive a me dar nós na garganta e rir das minhas crises de ansiedade. Nasci chata, velha e rabugenta, não há muito como fugir disso, no entanto,  em alguns dias como os de hoje, que são frios, chuvosos  e  solitários, acordo igual criança abandonada querendo colo e alguém que diga que tudo ficará bem.
Antigamente eu não ansiava pelas sextas feiras, me arrependo amargamente de ter desperdiçado várias delas indo pra casa dormir cedo , ou recusando convites e companhias por pura preguiça e insegurança.  Insegurança principalmente. Não é do meu feitio acreditar que sou boa companhia, eu me menosprezo há séculos, e não sei dizer o porquê. Acho que é medo de ser importante, isso é muita responsabilidade pra mim.  Só tenho máscara e tamanho. Grandes mudanças e acontecimentos me assombram, sei lá. Acho que é covardia o nome disso.

Por tempos fingi não me importar com nada e ninguém,  era como se não houvesse ninguém que fosse o motivo de meus atos. Eu não tinha grandes propósitos, vivia fazendo figuração em outras histórias e me sentia bem com isso. Sempre gostei daquela música que diz que raspas, restos e mentiras sinceras interessam. Vivia de migalhas dormidas, como aquelas que os velhos já cansados de tudo jogam aos pombos nas praças que existem em  toda cidade. Ainda não sei dizer se sou velho, migalha ou pombo. Acho que há uma pequena parcela de cada um me constituindo e aparecendo em cada fase que avanço ou abandono.
Ainda falando sobre sentimentos, há alguns anos descobri que sinto demais e na verdade meu maior desejo era ser uma pedra. A maior inveja que sinto é daqueles que conseguem não sentir nada, esses malditos que se divertem sozinhos, isolam os problemas em vez de compartilha-los, e mesmo assim, contam com uma galera que morre sem a presença deles, enquanto apenas curtem uma folga de tudo e todos. Queria ser uma dessas almas que preenchem qualquer cantinho  e não precisam de nada que as infle. Sabe, esse povo é assim. Eles se bastam. Eu não me basto, mas adorava fingir que bastava.  São tolices...

Hoje eu espero pelo final de semana como se ele viesse me salvar de toda a maldição da Terra, como se com a metade do sábado que tenho de folga e o domingo inteiro viessem para ressuscitar os demônios que deixei dormindo em mim. O clichê dos leitores de Bukowski, o tal do pássaro azul no coração. No final de semana eu tomo poucos goles de coragem pra pedir amparo, coisa simples, gargalhadas e afetos que varam a madrugada. No auge do porre o pássaro maldito ameaça bater asas, e eu digo: Não se atreva. Eu quero ser pedra. Serei de agora em diante apenas pedra. Se aquieta coração, é só mais outro fim de semana, não sua salvação. 

Eu tenho me  abraçado à sobriedade, concentrando os pensamentos somente em minha conta negativada e na falta que faço à ninguém. Nem mesmo a possível advertência pelo atraso no trabalho me motiva a correr, só desejo que tudo isso acabe logo. Hoje é sexta e está chovendo, amanhã a rotina será a mesma, não há com que se importar. Ou fingir. Bom dia.

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