segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

DESISTI FAZ TEMPO, MAS ASSUMI AGORA

É engraçado te ouvir dizer "Me perdoa, não desiste de mim". Olha, eu não sei quando foi que parei de acreditar, simplesmente te deixei de lado. Não, não se preocupe mais em puxar papo ou entrar em rodeios para justificar seus atos e expor sua personalidade forte, pra não dizer essa sua chatice em achar que tudo está sempre bem, já não me interessa mais. Cortou. Doeu. Cicatrizou, com queloide, mas fechou.

Não tenho mais munição pra te atacar e explicar os motivos de ter abandonado essa luta. Era difícil competir com as moças do seu ringue, era difícil dançar tão bem quanto as beldades que visitavam suas festas, era ainda mais difícil forçar amizade com todos aqueles que pareciam te divertir mais do que eu um dia pude divertir, se é que algum dia fui capaz de te dar algum êxtase. Olha, sei que sou exagerada nos dramas, que sou cega e louca de ciúmes... Te peço desculpas pelas cenas, mas não me arrependo.

Sempre acreditei que lembrar de coisas ruins é mais fácil do que recordar boas passagens. De nós eu só levo as brigas, as noites que passei chorando, o dinheiro gasto com mimos, o meu jeito torpe de achar que o afeto não era demonstrado nos gritos de vontade de arrancar sua pele em qualquer lugar. Na verdade, me vejo como uma adolescente apaixonada e inexperiente quando me visito num passado não tão distante, te presentando com o whisky favorito, derrubando lágrimas em cartas que tinham mais de mim sobre você, do que qualquer coisa que vivemos juntos. Tudo isso por um sussurro de atenção. Queria um tico de sentimento. Uma raspinha. Um resto. Alguma coisa do que você demonstrava sentir com os outros, e nunca pareceu ter comigo. Puta bobagem, me resumir ao seu modo só me fez mal. Só me deixou cada vez mais nas sombras, e agora sofro com essa claridade toda que sua ausência causa aos meus olhos. Continue não se preocupando. Eu me acostumo. Sempre me acostumei.

Um dia me disse que não sabia ser, e nem fazer, nada especial pra ninguém. Que era um defeito seu, seu jeito, sua cabeça, seu guia. Pois bem. Eu relevei tantas e tantas coisas que não gostava, só pra ficarmos juntos por um pouquinho mais de tempo. Pra mim era importante te fazer bem. Te dar as melhores fodas. Pertencer às suas mais belas noites... Ser o que apimentava seus pratos era o que me movia a exibir lingeries, levar perfume na bolsa, dançar suas músicas e beber seus drinques favoritos. Com você aprendi que eu fiz tudo que tive vontade e nada mais. Foi pra te ver feliz também, espero que não se esqueça.

Hoje eu já não tenho idade pra tolerar grandes atrasos, nem pra desperdiçar madrugadas fazendo a vontade dos outros. Saiba que eu continuo achando que onde não há sexo, há problemas. Evito longas discussões, não sei lidar. Esses dias resolvi baixar a guarda e te procurar. Odeio essa coisa moderna do desinteresse, eu não passo vontade, aqui o tesão sempre fala mais alto, e eu obedeço. Chuto minha insegurança lá na lua, só pra mostrar que estou sedenta por sua respiração sincronizada na minha. Tudo em vão. Como sempre.

Seu cérebro já não responde aos meus estímulos. Foi sua indiferença que me levou ao nocaute. Não consigo mais me levantar, mesmo que a contagem ultrapasse dez mil e quinhentas repetições. Te peço desculpas, mas não desaprendi a guardar rancor. Não te perdoo pelo meu tempo perdido. E sim, eu desisti de nós. Sei que não irá sofrer, você se vira muito bem sem mim. Queria que sofresse, que tirasse a armadura. Espero que algo te abale e faça lembrar que sempre estive por aqui, no entanto, não mais.

sábado, 29 de outubro de 2016

OUTRA CARTA DE ÁGATHA, A VADIA QUE NÃO TINHA CORAGEM, MAS SOFRIA DE SAUDADES

Nem sei como te confessar isso, pois, pra ser bem sincera, me pego pensando todos os dias em nossos toques cheios de paixão e naquela troca de olhares que me trazia fúria e calma ao mesmo tempo. Acho que essa sensação maluca só existe quando minha boca encontra seus grandes olhos castanhos, e respira bem perto da sua aura repleta de ironia. O ar pecaminoso de estar contigo me fazia muito bem, e só percebi com sua ausência.

Se voltei pro mundo? Não. Permaneço enclausurada na minha torre, e, como não acredito em príncipes, espero que alguns porres e tragos venham me salvar. Você tinha me ensinado que de saudade ninguém morre, por um tempo quase acreditei, mas sabe, acho que sua falta me transformou numa espécie de zumbi. Eu ando por aí tentando te encontrar e monto conversas imaginárias aguardando suas respostas, entretanto, o silêncio frio e fino vai entrando lentamente em minhas costelas. Se bem te conheço, dirá que não passa de mais um de meus dramas. E é isso mesmo, não há como não utilizar hipérboles em dias assim. Como estou? Eu sigo indo bem e fingindo melhor ainda. Desejo praia, mas da minha janela só consigo ver outras torres. Umas até mais altas do que a minha. Há instantes de paz nos meus dias, e, cada vez mais prezo por eles, deixei de lado o caos permanente. Ele me visita algumas vezes, e nossas lembranças se transformam em gargalhadas. Tem sido bom. Bom e tranquilo.

Certa noite sonhei com uma de nossas transas que nunca aconteceram, e talvez jamais aconteçam de novo. Triste pensar assim, não acha? Você talvez não ligue. Um sexo a mais ou a menos na sua lista não faz muita diferença, não é verdade? Invejo muito essa sua destreza em não passar vontade de nada, nem de ninguém. Todos estão sempre prontos a te satisfazer. Is good to be the king, isn't?Well, anyway. Sonhei com aquele dia que contei sobre minha vontade de transar ouvindo Heartbreak Hotel, derrubar umas garrafas de whisky e dançar pra você. Nesse devaneio até ouvi sua risada aceitando minhas sandices, sem perder o ar de dono de minhas coxas umedecidas. Permanecia sentado me observando, enquanto a música foi crescendo junto com minha gula de ter sua alma dentro de mim. Violentamente e de uma vez só.  Enquanto íamos nos provocando, você levantava com a certeza de ter tudo que é meu em suas mãos, percebi que, até mesmo em sonhos, você não esconde que sabe que pode fazer o que quiser comigo. Puxou meus cabelos, me curvou diante de ti, rasgou minha calcinha, e, no mesmo passo em que sorria diante de minha submissão, me enchia de vergonha de ser sua cadela, obedecendo seus comandos e pedindo mais, e mais, e mais...  A little less conversation and more action, please. E foi nesse ritmo que desmaiei, depois do meu corpo responder apenas aos seus impulsos. Engraçado, mesmo nessa ilusão, nossa transa se deu mais no instinto do que com qualquer outro sentimento. Talvez fôssemos dois kitsunes em um submundo de vidas paralelas. Acordei. Decidi escrever pra você. É apenas o que me resta.

É com tristeza, mas com imensa busca por salvação, que digo que já não podemos mais realizar as trepadas que deixamos pra trás. Desculpe. É com pesar que concluo que bem mais intensos que nossos orgasmos, foram também as nossas perdas de tempo. Tudo acontece rápido demais, desperdiçar oportunidades não é um pecado que gosto de cometer. Desse modo, permita-me te matar em meus pensamentos. Descanse em paz enquanto tento parar de aguardar pelo terceiro dia, e com ele, a sua ressurreição. Se é que demônios ressuscitam, isso deve ser privilégio de cristos. Enfim, espero que mais uma vez me entenda, món chér.

Com o carinho bruto de sempre,
Ágatha.

PS. noite passada sonhei com um sexo embriagado fodido até n'alma com let me put my love into you, baby.  Último volume e reclamações dos outros quartos. Seria um máximo, se fosse.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

MANDA NUDES?

Cada vez mais passo a acreditar que tudo na minha vida colabora para que eu faça ou encontre coisas erradas. Digo erradas, pois o senso comum as julga desse modo. Particularmente, não chegam a me incomodar, tão pouco me causam espanto. Há alguns meses um motorista me levou pro aeroporto, era uma viagem de férias fora de época. Ia comemorar a demissão inesperada que veio como resultado de alguns dos pedidos que faço ao universo, ou a Deus, caso vocês acreditem. Joaquim era o nome do moço, simpático como todos da franquia e carente de atenção como quase todos os mortais. Como notei isso? Assim que encostou o carro e respirou bem fundo para responder que não estava tão bem quanto eu, percebi que a corrida seria aquele senta que lá vem história. Não revirei os olhos em desaprovação,  até por que tenho alma de tia de vila, a vida alheia me interessa demais. Paro meus assuntos, jogo a bola na pista errada e perco o ponto do ônibus. Tudo só pra pescar o que está acontecendo do outro lado da cerca, mesmo tendo cinco gatos em casa, trinta e cinco vidas pra cuidar, mas, ainda assim, curiar os problemas dos outros me apetece. E muito.

Joaquim tinha saído de uma madrugada que colocou fim num casamento de 35 anos. Eu não sei vocês, mas acho que suportar qualquer pessoa por 35 anos já é uma prova de tolerância a todo tipo de inferno. Enfim, perguntei ao homem qual foi o motivo da briga e da separação, já que viviam juntos por tanto tempo. Ele começou a derramar suas lamentações e entregou sua "cornice" no meio do papo. "Ah, moça. Ela tava de putaria nesses negócio de zap e Facebook. Peguei mandando foto pra um novinho, debaixo do chuveiro dizendo que queria ele lá debaixo com ela. Esse negócio de internet acaba com os relacionamentos." Bom, eu não sabia o que responder pra ele, pois nem posso condenar quem fica de putaria "nesses negócio de zap e Facebook". Aliás, não condeno putaria de nenhuma espécie, questiono algumas, mas a maioria delas me agrada bastante. Voltando ao caso do Joaquim, o coitado estava arruinado. Foi trocado por uma tela de celular, por fotos e áudios picantes. Não contente em viver na dúvida, foi atrás de se enfiar e vasculhar cada canto das redes sociais da esposa, só pra ter a certeza da traição. Nesse papel de detetive, descobriu que a moça se divertia à beça no sexting com os rapazes bem mais jovens. 

"Ah Joaquim, mas é virtual. Não jogue fora uma vida por conta disso. Você também deve ter suas escapadas por aí. Ou não? Em 35 anos... Poxa, releve. Pense nos seus filhos." Se vocês já andaram na Dutra, ali por perto de Guarulhos até Cumbica, sabem que esse caminho dura uma meia hora, mas parecia uma viagem de caminhão pro Pernambuco. Ele contava o quebra pau do meio da noite e eu só conseguia rir, e com jeitinho ia instigando mais detalhes, ao mesmo tempo em que pouco me importava a vida daquele casal. 

"Sim. Já fiz minhas burradas, mas sabe, fui eu quem fez o Facebook dela. Comprei o celular. Do meu Mac dava pra controlar tudo, e tava lá a foto. Ela falando com um tal de Wesley. Isso é nome de cara que presta? Wesley, hunpf!" Nessa hora me espantei com duas coisas: 1. Um Mac é caro pra caralho, pra que gastar com isso? 2. Eu já vi que pra ele, pouco importava a mulher mostrando os peitos no aplicativo, o orgulho foi ferido por conta de usar as coisas que ele fez e deu pra ela. Que mancada, né?

Sempre tive medo dessas fotos acabarem onde não devem, por conta da minha vida sempre acabar indo pro lado errado da estrada. O primeiro grupo com nudes que participei era composto por mim e três amigas. A primeira que mandou fotos seminua logo ficou convidando, em tom de intimação, as outras a mandarem também. Resisti no começo, mas meu signo e sol em leão, pisca por exibições. E a partir daí, a troca de fotos tornou-se normal e diária, e em grupos diferentes,  porém não menos divertida. Algumas poucas vezes tediosa, com picos de imagens boas e ruins, umas simples, e outras cheias de meu Deus! Essa atividade diminuiu um pouco atualmente, não que ainda não me surpreenda com algumas que aparecem no meu celular, mas bem menos do que há alguns anos, confesso. Bom, é só um jeito de diversão e nada mais. Ato que muitos julgam errado, muitos como o Joaquim, que acabou com um casamento de mais de vinte anos, por dar importância à simples fotografias. Otário, desculpa.

Ele continuou reclamando, e eu tentando minimizar a brincadeira da mulher. "E o que ela disse quando você descobriu?" . O condutor já conseguia rir do acontecido e foi levando a conversa num tom de piada. "Ah, no começo ela não queria me deixar pegar o celular. E eu dizia, se não deixa pegar é porque está devendo. Mas logo ela foi largando de mão também. Acredita que dias antes ela  falou 'hmm, eu adoro sexo. A minha vida é sexo' e eu disse AH É? ENTÃO, VAI MORAR NA ZONA!" Nem tive como esconder minha gargalhada. Não é coisa de se dizer pra uma mulher que assume adorar sexo. Pra mim, o casamento acabou antes mesmo da descoberta da troca de fotos debaixo do chuveiro.

Houve um tempo na minha vida em que eu acreditava que as pessoas transavam apenas em ocasiões especiais. Jamais pensava em assumir que tinha vontade de trepar, isso era coisa de gente errada. Meninas promíscuas. As coisas mudaram muito, até bronca eu levo agora por começar a falar de sexo e não querer parar mais. Talvez seja um defeito meu. Mas isso só acontece com os tipos errados, aqueles me deixam falar merda e compartilhar fotos, minhas e também alheias.

Há quase dois anos me envolvi com um tipo certo, o carinha que tocava o terror quando jovem, mas envelheceu e entrou pro lado conservador da força. Um tédio de papo. Um tédio de transa. Dava mais preguiça do que tesão estar por perto e responder perguntas sobre fantasias idiotas, nem mesmos mandar nudes era excitante. Foi aí que a vida me deu uns tapas mostrando que é melhor ficar no meio dos loucos mesmo, do que se ancorar no marasmo do falso "bom mocismo". Acredito que Joaquim também jogue no time dos bons moços e por isso tenha ficado indignado com o joguinho da vadia.

Eu ri até chegar ao aeroporto e esse foi o fim do papo. Na minha cabeça a falta do "errado" é que destruiu aquele casal. Quem sabe a mulher gostasse de uma cachorrada, mas sabia que o marido não suportaria a ideia de tentar coisas novas. Transar durante trinta e cinco anos do mesmo jeito parece sentença de punição. Não acham? Bom, ou não. É um assunto pra mais de milhões de causos pra contar e também de centenas de nudes pra avaliar.


Manda!

domingo, 18 de setembro de 2016

A PROTEÇÃO DO ACASO E A VONTADE DE TER ALGUÉM QUE VOCÊ GOSTARIA QUE...

São dias como esses que me deixam de guarda baixa, imersa numa multidão de vontades e desistências. Tudo em meus toques e olhares tem um quê de me ofereça colo, me abrace por um minuto que seja, mas fique por perto. É confuso. Logo eu que poucas vezes quis ter alguém ao meu lado, me pego afundada numa tarde chuvosa de música, sonhos, fumaça e álcool. Querendo algo que jamais tive em minhas gavetas. Amor.

Eu procuro um amor que ame Elis e goze Bethânia. A força, a personalidade e também a fragilidade de ambas. Visto a calça colorida e deixo os cabelos armados pra mergulhar na fantasia tropicalista e pedir aos sete infernos, e também aos céus, um amor esquerdista irritante que debata Chico e cante Caetano, que prospere e venha comigo todo dia, fazendo quase sempre tudo igual, mas que exista e pulse forte, como as guitarras inesperadas de Pepeu, me beijando até a alma com a flor do desejo das batidas de maracujá. Um amor torto, mas que me chame enquanto correr a barca, do mangue ao cais do porto.

Quero um sujeito que saiba ser doce como Gil, mas que tenha também o jeito maluco e a irreverência sarcástica de Raul. Aí eu quero ver, quenhé que vai guentar uma paixão assim. Uma vontade exagerada cresce nas tardes solitárias como essa. Minhas veias inflam e murcham, queimando por um maluco, safado e romântico igual ao Cazuza. Anseio por um homem sexy e cheio de si, um tipo de Jim Morrisson,  louco de ácido ou não, sabendo que pode me despir onde e como quiser. Ah, eu tenho devaneios ridículos e começo a rir de tanta idiotice que passa dentro dessa cabeça.

Admito que tenho uma certa queda por canalhas, por vezes romantizo o que não deveria. No entanto, só estou clamando por um chamego ritmado no funk de Ben Jor, que venha correndo pra me ver toda molhada, linda e despenteada depois do banho sagrado pós um dia cheio de problemas. Que eu seja a nega que dirija o fusca, que ele toque violão me fazendo rir escandalosamente de qualquer besteira. Faça solos de guitarra ou baixo. Seja vocalista ou baterista. Não importa. Eu quero ser a groupie louca, inspiração de versos íntimos e das noites de bebedeira. Estou com sede daqueles amores malucos e sem noção.

Eu procuro um amor que não se envergonhe de rebolar comigo ouvindo Kiss, e dance a dança da mãozinha, com a gravata na cabeça e o copo na mão. Sem o menor temor de parecer ridículo no final da festa de casamento da prima mais bonita com o primo mais velho. Aquele cara que vai entender  meu olhar quando eu, na mesma festa, ir dos gritos de Eeee Macarena aos de Vai Safadão. É isso que peço.

O meu jeito desembestado não permite um amorzinho  que venere a bossa nova, esse estilo é blasé demais pra funcionar por minhas bandas. Eu me apaixono pelo bicho maluco beleza que lambe veias cerebrais e transforma tudo em coisa única. Única, como a forma rude e o timbre inigualável do Tim. Única, como a poesia e o balanço de Alceu. Eu peço, bebo e viajo demais em noites assim. Da Boa Viagem à Praia Vermelha, numa garrafa só. Completamente só.

Me embriago convicta de que mereço um amor que me mantenha como a Deusa que habita em mim. Que tenha a sensualidade do Magal, me chamando e eu indo, sem frescura. Que ligue em mim a vontade de atirar todas as calcinhas pela casa, como se morasse no palco do Show do Wando. Eu quero agarrar, e soltar nunca mais, um rapaz latino americano, sem parentes importantes, aquele tipo que canta Belchior no bar, ou no banheiro, sem preocupar-se com nada. Um amor largado. Amigo de garçom, de bater altos papos cachaceiros sem pé nem cabeça, muito menos conclusão. Um amor de breguice digna de Reginaldo Rossi. Amor bagaceira, mas amor. Tem dias que eu gosto, e quero ser cuidada por tipos assim. Há finais de domingo que esse é o único pedido que não tem nas opções dos meu aplicativos de Delivery. Pediria um tamanho grande de amores como os descritos nas ficções, se pudesse.

Um príncipe das praias, que tivesse toda a sagacidade do Baleiro, a paciência do Lenine e a voz forte do Ramalho. Ah, vai... Nem sou moldada em tanto romantismo assim. Na verdade, minha fome é de um amor demoníaco como a música dos Stones, aquilo que dá vontade de rasgar as roupas e desalinhar os cabelos, abrir as asas e soltar os tigres e os leões no quintal. Pediria pra sentir por alguém, ou que alguém sentisse por mim, a mesma força dos riffs de AC/DC e dos agudos do Tyler. A força que existe e que arrepia apenas aqueles que  passam noites e madrugadas ouvindo, chorando e cantando as baladas de Aerosmith.

Está tudo bagunçado por aqui, isso é tão esquisito, me vem a súbita coragem de cair num amor cheio de briga, bebida e confusão. Imitando a era clássica dos Guns n Roses. Ou então, de enfrentar o meloso drama de negar as aparências e disfarçar as evidências. Amar, entretanto, dizer que não. Isso alimenta a vontade de beber a lá Janis Joplin, viver, dançar e cantar pela paixão, se viciar na droga que é dividir a vida, a casa, os problemas e a cama. Alimenta a coragem, mas dá força ao monstro Hamletesco: Tatuar o nome do amado sendo Amy? Ou ser a deusa solitária, mas sempre desejada, igual a Madonna? O que eu desejo, afinal?

Talvez eu precise de um amante latino, que adore as noites e os vinhos. Que ao pegar em minha cintura deixe meus quadris soltos, como se fosse a Shakira torturando Alejandro Sánz. Ou, quem sabe, eu queira ser um casal típico do Show Business. Beyoncé e Jay Z. Eike e Tina. Sid e Nancy. Jagger e Bowie. Joelma e Chimbinha. Vai saber...

Cá entre nós, caros colegas, eu me casaria com um amor que se afogasse em copos e mais copos de cerveja, que mandasse a lua iluminar meus pensamentos sempre que me sentisse triste. Que explodisse um Raça Negra no almoço de domingo. Aquele tipo que suprisse essa busca. Esse amor, sim. Ia ser pra valer. A vida inteira.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

DA NECESSIDADE DE AMIZADES TERAPÊUTICAS NO FINAL DA TARDE

Estudos comprovam que casais que discutem a relação, vivem mais felizes e juntos por mais tempo. O causo desse par não é muito diferente, tirando o fato de que para eles pouco importava viver juntos por muito tempo, estavam juntos no mesmo quarto durante algumas horas e aquilo era o que bastava na ocasião. Seus debates envolviam assuntos políticos, problemas no trabalho, sonhos futurísticos, episódios perdidos de Chaves, filmes de super heróis e as novas animações do Cartoon Network. Nem sempre ouviam as mesmas músicas, mas compartilhavam o apreço por algumas canções marcantes do rock clássico.


A trilha daquela tarde era feita de Creedence, o cinzeiro estava cheio, entretanto, os copos rasgados de tão vazios. Ele não fumava, muito menos bebia tanto quanto a moça. Isso não era um problema. Ambos falavam mais que os ambulantes da balsa que faz a travessia de turistas e nativos de Porto Seguro a Arraial D'ajuda, ou pra quem frequenta o centro de São Paulo, falavam mais que os carinhas que vendem até a mãe na entrada e na saída do Terminal Bandeira. O rapaz, desde o começo instigava a mulher a falar mais, desde fantasias sexuais até aos dias difíceis em casa, ou besteiras televisivas mesmo.  Gostava de falar sempre, mas sua especialidade era puxar assunto pós coito, conversar nus, mas, libertos do tesão, era um jeito de excluir as mentiras dos assuntos:

- Esse motel é caro, né?

No início ela não curtia se abrir muito, evitava que adquirissem muita intimidade. Convicção tola, que logo largou de mão.Viviam algo íntimo, não havia mais o por quê dos não me toques. Estava adestrada e já começava a achar estranho aqueles que pouco falavam da vida ou que quase nunca riam de suas próprias desgraças :

- É. Talvez por ser um hotel com períodos e não um motel. Mas não importa muito, é o mais discreto desses lados, além de ser mais bonito também. 

Ela serviu mais um copo descartável com uma catuaba ridiculamente podre, aliás isso pode ser um tanto quanto redundante, em nenhum lugar requintado serviriam catuaba, menos ainda num copo plástico degraçado. Entretanto, para esse par, a bebida e os copos eram levados na mochila, os encontros nada românticos eram marcados em poucas mensagens. Acreditavam que mesa de bar, drinques e passeios caros, eram nada mais que perda de tempo. Podiam resumir tudo em beber, conversar e trepar em uma visita só, afinal, nisso que se resumiam as relações. Para eles, todas as outras coisas eram de uma tremenda falta de necessidade.

Ele continuou o papo sobre o hotel/motel caro:

- Mesmo assim. Estamos nos primeiros quartos, setenta e cinco reais é muito dinheiro pra ficar só quatro horas. Lá na vila isso é um pernoite.

- Por que tá reclamando? Eu que paguei. E também, não é um lugar podre. O do outro lado da avenida, os quartos são bem na frente mesmo, tem uma porta do lado da mesa da recepcionista. E nem tem ar condicionado, é um horror. Entrada pra pen drive, também não tem. A luz falha, ou fica tudo escuro, ou fica tudo aceso, o banheiro é muito pequeno, é tudo horrível.

Eles caíram na gargalhada e ele bancando o indignado começou um discurso de defesa:

- MEU DEUS! Eu também já paguei, não é só a senhora que paga. E pelo visto já foi em vários motéis por aqui, né?

Enquanto acendia outro cigarro a moça retrucou:

- Não. Foram só dois. Esse aqui e o podre em cima da igreja. Gostei mais desse, pilares em volta da cama, banheiro grande. Sabe que tenho coisas com banheiros né? O banheiro da minha casa é minúsculo, e não importa aonde eu vá, sempre reparo nos banheiros. Acredito que a origem dessa tara tenha nascido daí. Pois bem. Só acho que devemos procurar outro lugar, já até  nos conhecem. A moça lá de baixo nem pergunta o que queremos "'Período de quatro horas, né? Documento, por favor. Vocês podem acertar comigo agora? Débito ou crédito?" eu fico com vergonha, e também, o meu dinheiro está acabando. Setenta e cinco golpes toda vez é muita grana. Fora que nem usamos as quatro horas... Anyway.

- E quando você voltou a fumar? Na vez passada não estava fumando tanto. Estranho. Aconteceu alguma coisa?

Saíam apenas na semana de pagamento, ou quando sobrava algum troco de todas as contas pagas. Não tinham a vida fácil e encontros planejados. Usavam os quartos de motel como terapia. Era uma espécie de happy hour. Transar toda semana era coisa de casal, eles eram apenas amigos. Assim como amigos não sexuais usam a mesa de bar pra desabafar, eles usavam os corpos. E isso funcionava bem.

- Nada que deva te preocupar, mon chér. Saí com uma amiga semana passada, e ela fuma, como não queria ir pra área de fumantes sozinha, a acompanhei. O maço ficou na minha bolsa, e sobraram apenas cinco. Dois, fumei de manhã e três agora. Esse é o último. Depois disso volto a ser saudável. Pobre e saudável.

- É, então seremos dois. Podemos também nos juntar e assim viveremos de amor.

Algumas vezes soltavam suas ironias a respeito de amar alguém. Vivam questionando relacionamentos passados, sempre que a tecla do amor era acionada as conversas pós coito ficavam ainda mais com cara de sessão psicanalítica. Com uma expressão bem indiferente encarou o amigo, descansou o cigarro no cinzeiro, tomou um gole da catuaba chocha, desamarrou e amarrou novamente o cabelo e disse fingindo pouca importância:

- Amor? Que amor? O amor não existe.

Ele riu ironicamente e respondeu:

- Esse discurso de gorda, feia e depressiva. Para com isso! Nem aquelas mulheres que trabalham comigo falam assim, mesmo sendo completamente judiadas, elas acreditam que o amor é importante. Você não precisa falar assim. Não sei o motivo disso. E também não me interessa.

- Você tá me chamando de gorda? É isso? Eu to pelada com você, e está me chamando de baleia. De Free Willy! De Shamoo. VOCÊ ME CHAMOU DE SHAMOO? 

- Você me ouviu? Eu não te chamei de gorda. Te chamei de amarga. Você não é gorda, mas deveria ir pra academia. Ia ficar legal, tem uns peitão, coxa grossa e bunda grande. Afina mais a cintura e nossa! Sensacional! Mas não é esse o ponto, Willyzinha. O ponto é que não há necessidade de ser assim. Eu estava brincando. 

- Ridículo. O senhor é ridículo, viado. Talvez, e ouça bem, apenas talvez, esteja certo. Mas não consigo acreditar... E bem, não importa. O que me incomoda mesmo é o fato de você arrancar minha roupa e depois me chamar de gorda depressiva. Não estou mais falando com você.

--SILÊNCIO  ABSOLUTO. Olhares vagos. Ela apaga o último cigarro e vira o resto de catuaba na garganta. Já não se preocupava com os copos. Virou de lado, fingindo que ia dormir, mais por birra do que por cansaço. --

Era sempre assim, depois de um papo que poderia ganhar muita seriedade, permaneciam quietos. Ele interrompeu o clima sério, voltando a falar do hotel/motel caro.

- Também gosto desses pilares em volta da cama. O chuveiro é muito bom também. Eu não ligo de já conhecerem a gente por aqui, mas devem pensar que somos amantes. Chegamos em carros separados, vai cada um pra um canto... Imagina se elas descobrem as cachaças na sua bolsa, sem contar quando tem coleira também. Você nem tá me ouvindo, né? Tá fazendo birra. 

A bela continuou fingindo estar adormecida, até "despertar" sendo puxada pelo rabo de cavalo, levada até a cintura de seu acompanhante. A toalha que envolvia seu corpo, desprendeu-se, deixando-a novamente nua diante de seu amigo. Os olhares se penetraram novamente :

- Eu te odeio! - Disse ao rapaz que ainda segurava fortemente seus cabelos, sem desviar os olhos do rosto dela e muito menos de suas curvas. 

- Como pode, você transar com alguém que você odeia?  Não acredito nisso! Está blefando. A verdade é que você não passa de uma safada, isso sim. Que? Acaba de dizer que me odeia, mas está me chupando de novo. É isso, mesmo? Não vale os tapas que leva na cara, e acho que vai levar outros pra parar com isso. 

Ela voltou seus olhos para os dele e sorriram sarcasticamente. Tudo estava resolvido. Entraram em acordo as duas partes do caso. Os dois não valiam os tapas que se davam, porém, se divertiam bem assim. Não era necessário pesquisa nenhuma para comprovar que, bem, de certo modo, os estudos estavam corretos. Discutiram a relação e permaneceram mais tempo juntos, fazendo aquilo que realmente importava nas horas que lhe restavam. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SOBRE CHATICE E SOBRIEDADE

Certamente minha habilidade de empatia não seria aprimorada nem com a ajuda dos maiores mestres Jedi que existem. Se eu estiver sóbria, desista. Sujeita chata sou eu que não acha nada engraçado. Jogos, paixonites, seriados modernos, best sellers adolescentes ou romances eróticos repletos de clichês , macaco prego, tobogã... Acho tudo isso um saco. Talvez eu tenha uns 86 anos e more num corpo de 23, quase 24. Preguiça e dor nas costas.

Poucos desgraçados conseguem com que eu descanse a posição irredutível de chatice, baixo a guarda para esses tipos. São personas raras, confesso, aquelas que desejo estar por perto com ou sem o auxílio do álcool. Deveria mesmo era afastá-las, pois possuem provas o bastante para acabar com a minha vida diante do juízo final, bom, acredito que esses malditos demônios também sejam condenados por muitas outras coisas piores do que as que cometi e cometo, quem sabe é por sermos da pior espécie que continuemos cúmplices. Ou não.

Das várias vezes que caí nos braços da mãe dos desajustados, a Rua Augusta, os deuses me ajudaram a socializar com alguns mortais. Uns logo sumiram e outros permanecem na minha vida até hoje. Já dividi cigarros, mesmo não sendo fumante. Adquiri o hábito de tragar apenas em ocasiões especiais, conhecer almas semelhantes é deveras uma boa ocasião. Um cara já me deixou sóbria, de tão chato. Outro conseguiu curar um porre de tequila, numa transa tão sem ritmo que ainda penso em cobrar de volta os cinquenta reais que gastei naquele quarto fuleiro. Estão me fazendo tanta falta quanto os sexos daquelas noites Augustianas, sem trepar eu vivo bem, mas, ter apenas dois reais na carteira e saldo negativo no banco é o que mais entristece. É pior que Itaipava quente na calçada e falta de assunto entre amigos de décadas. Enfim, lá também beijei as mais variadas bocas, as com gosto de nicotina, as gringas e as nativbas, as com piercings e as nuas, as com gosto de Jack Daniels e também as que exalavam vodka Natasha. Dancei ao som de músicas que não podem faltar no meu dia e de outras que somente estando louca pra ouvir. Deixar tudo de lado e cair no ridículo tem seu lado bom, é exatamente como diz o amor da minha vida "Sociabilizo até bem, mas sempre que posso evito."  Cortei o cordão umbilical, visitar a mamãe não é mais prioridade. Não há necessidade de levar casaquinho, meu edredom me esquenta muito mais, por isso fico em casa.


Acontece que já não tenho paciência pra essas coisas, meus 86, quase 87 anos pesam. A gritaria das crianças me irrita, as festas ficam muito melhores quando canceladas, os encontros sempre podem ser adiados, a vontade de tomar porres e ver gente é nula, nada é mais importante que o meu sono. Menos, é claro, quando se trata de uma foda boa, que arrepia a espinha só de lembrar. O mundo é movido a isso, mando às favas toda a chatice que me domina. Ainda não consigo idolatrar o que todo mundo curte, esses dias tentei assistir uma série que todos estavam comentando e não passei dos sete minutos do primeiro episódio. Entretanto, levo menos de vinte minutos pra aparecer linda, menos chata e excitada para algumas horas de tesão, risadas e um bom papo, do outro lado da vila. Quando tudo acaba, volto ao estado normal e enfadonho. Enquanto eu estiver sóbria, por favor, me deixe dormir. Afaste-se de mim.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

ME BASTA SER BONECA

Toda noite de sábado, e às vezes também aos domingos, nós saímos para o nosso show. Sabe, é lindo, junta um monte de gente pra ver, dar risada e aplaudir. Somos o casal mais quente de Ipojuca, ele, meu mestre, e eu, a seguidora fiel de seus passos e quadris. Começa a música e meu moreno me convida para dançar um xote, me tira cuidadosamente da caixa, acaricia meus cachos e olha firmemente em meus olhos. É hora de começar a dançar, tarefa deliciosamente fácil, basta acompanhar os comandos e manter a mirada fixada na dele.
Faz pouco tempo que nos apresentamos para uma platéia com uns casais formados de hora, num sabe? Uns cabras de pra lá do mar, não era gente daqui, tinham a fala gozada, e uns cabelo descolorido. Os bicho eram liso demais, conseguiam moças bem feitas aos pares e ainda faziam com que as pobres turistas pagassem os drinks que por ali eram vendidos, acredito que ganhavam também muitas outras coisas. Homem é um bicho muito do cagado, tiro isso por meu mestre, essa raça consegue tudo que quer por um simples modo de falar ou se mover, e essas bicha, essas mulheres sempre muito inteligentes, caem na rede fácil. Aí é doce, tudo se conquista e tudo se faz em questão de duas ou três músicas.
Aquele que me tem nas mãos não é diferente de nenhum outro rapaz que vocês tenham conhecido. Eu sou a boneca especial para as noites de show, estou em horas boas, nunca reclamo de nada, pra ele não tenho voz, também sou facilmente substituída por um corpo mais quente e uma cabeça pensante. Todos os dias ouço seus comentários sobre as meninas bonitas com quem afoga suas vontades, eu não ligo dele me mostrar as fotos delas, ou trazê-las pra perto de mim, pois, mesmo que eu quisesse, não poderia demonstrar sentimentos, o que resta é escutar mesmo. Esses dias meu amado cavalheiro estava sem dinheiro e mesmo assim a prenda insistiu em dar um passeio, ele com a canalhice mais charmosa dessa terra a chamou de vaca "Você é muito vaca comigo, e gosta de ser. Quando estou dentro de ti é que fica mais vadia. Fica toda minha." Isso bastou para que se aprontasse e pulasse pra fora de casa num tempo só, nem me guardou na caixa, permaneci imóvel e perplexa no canto do quarto. Não permaneci perplexa por falso moralismo, não. Fiquei surpresa com a verdade nas palavras dele e também com a aceitação que a parte do outro lado demonstrou, meu amo falou exatamente o que ela queria escutar, sem introdução e sem floreio. Ele ainda me fará morrer com isso, se eu fosse um ser vivo, claro.
Na volta pra casa, logo pela manhã, ligou o rádio no volume máximo, Alceu, morador de Olinda, pertinho de nós, o que vivia na casa azul, na Ladeira da Misericórdia, cantava sobre a moça bonita da praia de Boa Viagem, que pra mim, era a moça louca da Boa Viagem, porque a orla inteira mostra que é proibido tomar banho de mar ali, que tem risco de ataque de tubarão, que o bicho ataca no raso pois é míope de tudo, jovem, velho, criança e tartaruga, pra ele é a mesma coisa. Entretanto, acho que ninguém liga pra nada e nem acredita nas lendas da cidade, esse povo gosta de dizer que a TV inventa pra aumentar as passagens e prejudicar o turismo na região. Não existe acidente, todos sabem do perigo, do calçadão à Praça Dona Lindu, canto nenhum escapa da desgraça que fizeram no mangue de Recife, enfim... Eu, mesmo não sendo de carne, osso e sensações, jamais me atreveria a andar por aquelas bandas.
Meu homem estava radiante, o passeio deve ter sido ótimo, recheado de gritos e sussuros, risadas fora da lei e fora de hora, além de histórias que eu ouviria por muitas e muitas tardes. "Minha morena linda, minha boneca, nós não vamos dançar hoje. Vamos fazer amor no meio da Beijupirá, na frente de todos. Dos nativos e dos turistas. Aquela música que tu gosta, que zabumba bumba esquisito. Vou deixar nossos corpos coladinhos, seremos um só, mistério, segredo e muito mais" .
Se eu pudesse abrir um sorriso, faria de bom grado, mesmo com todo ciúme que não sabia que podia sentir, e muito menos demonstrar. Tudo em mim é pano costurado e forro, até pra ficar em pé eu precisava dele. O observei do meu canto, preparava o café enquanto fumava calmamente seu cigarro. Desejei que me tragasse também, que falasse comigo, quem dera eu pudesse ser quente como sua bebida e percorrer sua garganta para morar mesmo que por segundos em seu corpo, queria que me desejasse, assim como teve vontade insana da mulher que o bancou, ouviu, gemeu e inflou seu ego na noite passada. Isso não me pertencia, nem de verdade eu era. A mim pertenciam apenas as noites de final de semana pra tirar um extra no mês e pagar nossas contas, aliás as contas da casa, eu ganhava no máximo um aperto nos peitos cheios de retalhos de algodão e um vestido novo de chita adornado em fuxicos coloridos. E quer saber? Me bastava tudo que acontecia em três ou quatro músicas pra ganhar vida, demonstrar minha devoção por aquele safado que possuía e ditava meus movimentos no meio daquele povo todo e escondido de sua dama de verdade.
Ai quem me dera viver só, viver só juntinho ao lado dele, num amor sem homem e nem mulher. Ser boneca, talvez fosse a única forma de chegar mais perto de seu coração. Nascer uma dona de muito mais carne que osso e cheia de sentimentos não servia pra mim, não. Eu gostava mesmo era das noites quentes de sábado e não das fugas rápidas dos dias corridos e tediosos da semana, principalmente aqueles que caíam na segunda e na terça - feira. Quero ser boneca de pano, dançar, receber aplausos e ouvir histórias. Ter o poder de não chorar e a graça congelada num olhar e sorriso permanente. Meu sonho era sermos dois mamulengos dançarinos, melhor, deixa como está. Delicioso mesmo era ganhar vida somente enquanto estava em suas mãos.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

UMA SEMANA E MAIS SEIS MESES

Faz apenas uma semana, mas parece tempo pra caralho. Hoje completa uma semana inteira que não nos falamos, e junto com a semana, a metade do ano, as páginas mais frias de uma história quase debutante. Meio ano que as conversas jamais foram as mesmas, um semestre sem a rotina de ouvir sua voz rouca com sotaque forte e aguardar ansiosamente os finais de semana pra te encontrar e dançar nossas músicas favoritas. São sete meses sem cair na gargalhada com suas sandices, sete folhas e meia de um calendário sem ficar brava com sua indiferença, sem hipnotizar observadores alheios, sem fazer cena de ciúmes com suas novas amizades, sem sua presença, sem nada. Um período temperado com condimentos fracos e servido morno, sopa pra doente tem um sabor melhor que isso. Meia dúzia de ovos crus num copo, gosto horrível, mas que faz bem a longo prazo. Eu sinto sua falta, mas eu me acostumo. Sempre me acostumo.
Poderia colocar meu orgulho na privada e dar umas três descargas, dando zero fodas para a falta d'água e te colocar de novo nas prioridades do meu dia, porém, contudo, todavia, já não tenho forças pra isso. Acho que a preguiça é maior que todas as minhas vontades, ou talvez seja o medo de ouvir suas respostas frias novamente. "Sempre acontece alguma merda, por isso não ligo pra nada e estou sempre suave", invejo esse dom. Sempre ligo pra tudo, nunca fico de boa. Isso que me mata.
Então, agora irei comemorar meu ano novo, aprendi com seu jeito que de saudades ninguém morre, e isso saiba que irei sentir nas próximas cinco folhas que restam para o ano acabar. Não sei se devo pedir desculpas pelos dias em que falei que não queria amor e desejava apenas transar bastante, talvez eu quisesse carinho, quem sabe eu queira ainda. Acontece que não acredito no seu sentimento, acho que ele vem em lapsos, você diz que ama, você larga, você não se importa e crê que isso é liberdade. Isso me deixa confusa, acho pouco que prefira admirar minhas fotos do que sentar-se junto a mim para jogar conversa fora ou morrer num abraço, do que ficar sem respirar nos segundos que antecedem o gozo que meus toques causam em seu espírito, ou causavam "o tesão nem vem sempre, me desculpe, não queria te deixar na mão". Detesto mixarias, coisa nenhuma vale esse papinho de te amo. O seu amor é o próprio, não cabe mais ninguém aí dentro. Não tenho a senha de acesso pra entrar na sua fortaleza, muito menos jeito para pular seus muros, e caso isso um dia aconteça, seus guardas armados de pouco caso me matariam novamente. Já não tenho tantas vidas pra gastar assim, escreverei novas aventuras para minha personagem, serei eu a protagonista da porra toda. Raspas e restos não interessam mais, menos ainda suas mentiras sinceras.
Acredito mesmo nos gestos fortes de ímpeto, aquela falta de controle que sempre nos caracterizou. Sabe... Aprendi a me controlar e por isso não consigo te procurar mais. A reação química chegou ao fim, e é uma pena. Nunca acreditei em nada nessa vida, mas te juro, achei que nossa loucura duraria por séculos. Sei também que tudo isso é balela, eu tremo e choro de te ouvir cantar, eu apago fotos e reviro as lembranças, eu te ignoro somente o tempo em que não vem me procurar, mas, se vier, já sabe..

quinta-feira, 7 de julho de 2016

MORRI DE OVERDOSE DE TÉDIO E NÃO RESSUSCITAREI PRA NINGUÉM, NÃO POR HORA.

Eu choro de vergonha cada vez que me sinto incapaz. Sei lá, talvez esse seja o meu maior fantasma. Detesto demonstrar fraqueza, ou algo similar, e aí não tem jeito... Preciso de goles fortes e uma conversa amena, comigo mesma, ou com quem se importe. -"Quem se importe" não existe, não sem interesse.- sigo com meus monólogos mesmo.
Levantei cedo sem precisão, com medo, mas não chorei, e muito menos procurei abrigo alheio. Isso é lenda no meu mundo. Ando desacreditando de tudo que vejo, isso faz tempo... O desânimo toma conta dessa dança que não tem parada forte e passos bem marcados. Nada mais chama minha atenção. A indiferença me contagiou de tal maneira que não existem mais conversas que eu deseje ter o dia inteiro, encontros que eu espere por semanas ou chamada no celular que melhore o dia. Nada que ouço inspira, excita ou motiva. Minha atmosfera está impotente. Tudo está em linha reta. É um saco! Eu sou toda em curvas e essas paralelas jamais se moldarão aos meus quadris.
Essas palavras que permanecem desconexas, sem exatidão no que desejo falar também, puta que pariu! Que asco! Pra mim agora tudo é apenas vômito. Hoje não quero contar histórias, não espero visita de deusas e muito menos de demônios. Eu quero colo, e espero que adivinhe isso. Deixei de crer em todos e já não faz mais diferença o curso que a vida tomar. A única espera que mora em min é a da chegada de mudanças, coisas e lugares novos pra trazer sorte. O resto eu passo.
Não quero papo.

domingo, 12 de junho de 2016

INIMIGOS PÚBLICOS. CÍNICOS BASTARDOS.

Vamos rosnar e não morder. Embora eu anseie pela marca de seus caninos em minhas coxas, proponho que elas existam apenas nas cruzadas rápidas que nossos olhares encontrarem, somente  nas frações de tempo em que estivermos lembrando das horas e dias que passamos juntos. Me abrace forte e respire fundo ao meu ouvido, assim como antes, mas não dê bandeira que sente falta. Solte um riso irônico como código chave, entenderei e darei seguimento à farsa. Nossa convivência então será pautada na filosofia das artes marciais, saberemos os pontos fracos de cada um e como nos matar, mas não o faremos. Iremos apenas provocar. 

Agora sejamos inimigos verdadeiros, quero que haja desconforto em estarmos juntos, pelo simples fato de sabermos como atiçar as feras que habitam em nós. Mesmo que eu deseje cada veia de seu cérebro pulsando em minha garganta, por mais que eu lembre dos suspiros fortes em cada puxão de cabelo que arrancou minha falsa frieza e me desconcertou diante de mim mesma. Por todas as vezes que me acordou para saciar suas vontades, por todos os apertos de mãos calorosos que demos em nossas chupadas, por nossos pecados observados por Satanás e também pelas doses fortes, porres e orgasmos intensos que compartilhamos. Sejamos cínicos e pacíficos, tão vagabundos e amáveis quanto cães de rua que não mais se acostumam em lares. Enfim, sejamos algo magnificamente podre. Vamos nos tratar como nobres vira latas. Eu suplico!

Leia meus quadris implorando pelos seus, percorra meu corpo com sua língua em pensamento, lance sobre mim seu olhar mais penetrante, permaneça em silêncio. Note nas minhas linhas e em minhas palavras a loucura que provocou nos meus gestos. Observe friamente. Sorria sarcasticamente. Veja no que me transformou. Judie. Tripudie diante disso, sei que te  diverte - De certa forma a mim também -

Já que não pode mais prender minha coleira aos pés da cama, e nem possui mais as chaves de minhas algemas, por favor, lembre-se de mim como a louca que encantou, incendiou e assustou parte de suas noites. Você me deu espaço para entrar na sua vida, consentiu que me aproximasse e acolheu minha insanidade tão comum a sua. Talvez seja por essas coisas que eu te deteste, te queira longe, e mesmo assim, ainda peça por sua respiração em meus pulmões. Quem sabe seja por essas suas sandices que eu não saiba me comportar sem ti e muito menos diante de você. Algo em sua aura me dá um medo danado e uma vontade tremenda de estar por perto. Me procure pra sempre. Esqueça-se vagarosamente de mim.

sábado, 11 de junho de 2016

DESTINADO A QUEM SE IMPORTA E NINGUÉM MAIS

 Tem dias que ela sente vontade de vomitar tudo o que vê e sente - naquelas batalhas internas que existem apenas em seus roteiros de conversas imaginárias - , porém, logo desdenha de suas crenças e não dá volume às ideias que a perturbam tanto. Não é coisa de momento, raiva passageira, mania que dá e passa feito brincadeira. A moça crê que o amor deixa marcas que não dá pra apagar. Verdadeiramente, sobre esse tal de amor, nada pode afirmar ou concluir. Ela simplesmente não acredita.
Quando sentia o crescimento de uma nascente, dava um jeito de estancar. Prezava muito suas lágrimas, mas ainda mais suas risadas escandalosas. Não desejava sofrer, esse era o seu maior medo. Sofrimento era o nome do demônio que mais a assombrava. Recolhia tudo que a curva do rio pudesse trazer, antes mesmo de ver correr o braço de mar. Era uma louca, quem podia ler sua alma não acreditava. Ela era magia, miragem, milagre. Era mistério. Era qualquer coisa onde não cabia o meio termo. Tinha ódio de relações com prazo de validade.
Já ouviu centenas de histórias apaixonantes, que no seu mundo eram divinas lendas. Escutava sobre declarações, presentes, alegria, suor frio, ataques de ansiedade por estar perto. Já havia sentido isso, nunca em reciprocidade. Como quando pedia bênçãos de Deus e não era ouvida, a fé não valia de nada se as graças não eram alcançadas. Desistiu e se fez indigna de viver essas histórias. Das vezes que presenteou, nada recebeu em troca. Nem material, muito menos espiritualmente. Quando serviu seus melhores drinks, foi abandonada na mesa.
"De onde vem esse povo apaixonado?" "Como são atraídos?" "Bebem e fumam o mesmo que eu?" Ela se perguntava se já fora a alegria do dia de alguém, se era digna de ter um sentimento assim. Mas de nada valiam seus ataques ansiosos, nunca ninguém vertera uma lágrima com o pensamento voltado para seu ser. Aquela mulher, na verdade era uma menina que chorava sozinha sempre que colocava sua fantasia de deusa.
Queria cuidados, mas tinha medo de ser escravizada por seus gestos, de se tornar dependente do outro, odiava isso. Foi ensinada na cartilha que defendia que não devemos usar alguém pra ser feliz, se não nós mesmos. O outro funciona como complemento, não serve de extensão. A lição mais difícil que tinha pra aprender, que não a deixava raciocinar, mas que também lhe rendia notas altas, todas forjadas, contudo, impressionantes. Sempre sozinha. Sempre auto suficiente. Sempre de mentira.
Como podiam existir tantos atos de amor no mundo e ela não pertencer a nenhum? Talvez seus sinais fossem menosprezados por sua falta de fé perturbadora, acreditavam na personagem. Isso adubava as vozes esquizofrênicas que moravam na sua cabeça, mexia nos controles do volume de suas falas. Mas ela as dominava bem entre um gole e outro, uns tragos e algumas lágrimas. "Calem-se, vozes malditas! Um dia as gritarei. Não agora. Não hoje. Shiu! Me deixem enlouquecer em paz". Liga. Pisa na embreagem até o fim. Engata a primeira. Solta o freio de mão. Tira devagar. Acelera. Sai lentamente e controla. Assim seguia fugindo e largava de correr atrás de quem quer que fosse. Corria demais só pra se sentir bem. Talvez odiasse todos, talvez quisesse pertencer a um bom par. Quem sabe não se sentisse digna de tal coisa? Não tinha nem roupa pra usar, ou arrancar, caso alguém um dia dissesse "Vadia, eu te amo" . Uma vez ouviu, mas não acreditou. Não conseguia. A amar era piada. Só podia ser. Era mais fácil acreditar em coisas ruins. Relembrar rejeições era ato corriqueiro, aceitar declarações era torturar seu miocárdio. Sofria de uma perigosa mania de perseguição, pensava sempre estar passando por testes e desapontando todos. Tinha o orgulho maior que os olhos agateados com delineador forte, o coração em pedaços colados com goma arábica, superbonder e durepox. Nada disso, era toda feita em cristal vagabundo, mas podia fingir bem aos olhos amadores.
A cadela cresceu ouvindo que era inconstante, que o que falasse em pé não sustentaria deitada. Com o tempo isso piorou, o que dizia no caminho, não confirmava no destino. O que recusava sentada, consentia ajoelhada. Deitada. E principalmente posta em quatro apoios. Achava graça e deixava de lado antigas convicções, jamais pediria perdão ou voltaria atrás. Arrependia-se, para depois fazer de novo, obedecendo a única coisa que podia e queria obedecer: O desejo. Nada mais.

terça-feira, 10 de maio de 2016

ÁGATHA, A VADIA QUE ADOECIA COM A FALTA DE INSANIDADES

Talvez as últimas quatro doses de whisky dessem um fim na maldita dor de estômago que Ágatha estava sentindo há alguns dias. Não lembrava de ter trocado seus remédios, nem mesmo de ter experimentado os temakis quentes de algas borrachudas, típicos de restaurante por quilo, sabem, aqueles que ficam prontos perto da feijoada e dos blocos de arroz que formavam sushis, mas que estão sem peixe, pois em todo estabelecimento que serve todo o tipo de comida há também vários tipos de pessoas, e, entre elas, os malditos que arrancam o falso salmão de cima do arroz. Os adoradores do sashimi de pobre. Enfim, ela comia de tudo, mas não lembrava o que tinha engolido que pudesse destruir seu estômago. Apelou para os chás e para as frutas ácidas, e depois de vomitar o café da manhã e o almoço, tomou um porre forte. Se os porres não a curassem, nada mais poderia.
Havia sumido por um tempo, andou por aí sem rumo, buscando novas ideologias, experimentando novos pratos e enfrentando alguns fantasmas. Descobriu a vida sem o domínio de demônios e se fez sua própria diaba, era mais fácil assim. Cresceu e se reconheceu responsável por suas próprias pragas, desse modo, vencia todas as antigas maldições, que por vezes existiam apenas em sua imaginação.
Não deixou de atender as almas que a procuravam, de certa maneira isso também lhe trazia um tipo de divertimento. As conversas com esses "pacientes" também traziam orgulho. O ser que a ouviu certa vez, que não oferecia espírito em suas fodas e pagava pra não ter nenhum tipo de carinho, havia encontrado uma louca e aceitado suas sandices. Ele enviou mensagens de agradecimento à Ágatha, que mesmo de longe, podia sentir-se feliz pelo efeito que suas palavras levaram para a vida daquele homem. Com a vida dela não sabia o que fazer, de resultado, metia-se em grandes roubadas, e, certamente, a maldita dor de estômago e as ânsias de vômito, eram presentes dessas coisas malucas em que se envolvia.
Ao refazer seus passos para descobrir o motivo do mal estar, lembrou que há pouco tempo estava se alimentando de sangue novo, isso não lhe causou dores. Continuou buscando na memória, e, finalmente encontrou a causa do asco, sua boca encheu d'água somente com a lembrança, o enjôo veio forte. Cuspiu o que pôde e se contorceu para suportar as dores abdominais. Encheu seu copo de whisky e tomou um gole lento. Logo depois da queimação suspirou "Maldito cara saudável me golpeando novamente!". Acontece que Ágatha havia se envolvido com um tipo completamente diferente do seu. De novo. Dificilmente dividia seus dias com pessoas que levam rotina saudável, sem drogas, sem álcool, com horários, exercícios e palavreado sério. Mas, resolveu investir numa nova banca, quem sabe seu pré julgamento estivesse errado? Quem sabe a normalidade tivesse um gosto diferente do que imaginava?
O cara saudável era um porra louca recuperado. Dizia ter aprontado muito, mas com a idade chegando, resolveu viver de maneira mais tranquila. Em outros tempos o papo afastaria Ágatha, mas a moça arriscou suas fichas, entrou no jogo e pretendia ficar enquanto houvesse chances de ganho. Pois bem, ela caiu na segunda partida, quando teve chance de mostrar suas cartas. Nesse caso, deixaria sua primeira impressão, no mundo da vadia que gostava de cobrar por almas, a primeira chupada era a que ficava, e se esforçou para ser bem vista aos olhos do bom moço, que permaneceram fechados na maior parte do tempo. Eles ofegaram juntos e ele só abriu os olhos para pedir que ela o engolisse. Pedido concedido, boca escancarada e final de jogo. Foi mais fácil do que havia imaginado, e pensando ser a vencedora daquela etapa, Ágatha arriscou uma conversa normal com seu parceiro, resolveu falar da vida e ver até que ponto gastaria suas apostas numa mesa mais leve do que as que estava acostumada. Se estivessem num Quiz show, a moça teria rodado a roleta e parado na placa de perde tudo. Além de cobrar por almas, ela se apegava também aos cérebros, viajava em idéias malucas e se entregava em risadas escandalosas vindas de piadas infames, porém, aquela parecia não ser a noite do encontro de campeões, o papo rumou para política, cães e gatos, de um jeito absurdamente tedioso. Pensou em chupá-lo novamente, mas não teve boca, não teve malícia e nem mesmo olhar para isso. Inventou qualquer desculpa para entrar sozinha no chuveiro e acabar com tudo aquilo o mais rápido possível. Entregou a medalha, e recusou o dinheiro do prêmio, não era esse o título que buscava.
Fingiu simpatia até que chegasse em casa, e na manhã seguinte começou a passar mal. Ânsia, pensava na noite anterior e sentia o gosto do cara novamente, cuspia. Isso se estendeu por dias, até que o porre lhe trouxesse forças para levantar e vomitar mais uma vez. Falava sozinha, era a culpada de sua doença. Se sentia culpada, pois adoeceu buscando a cura de um mal inexistente. Vivia entre os errados, e, numa caminhada pelo bom caminho, apodreceu. Era castigo. Demônios não devem andar no céu.
"Mas que diabos! Não foi o primeiro idiota que gozou na minha boca como se fosse o ralo do chuveiro. Pare de frescura!" dizia para ela mesma na frente do espelho. A bronca não melhorava em nada seu aspecto. Piorava, mais emocionalmente do que fisicamente. Não foi o primeiro idiota, mas o único com quem seus males não batiam, não existiam pontos em comum. Ela serviu de ralo mesmo, nas expressões não se notavam sorrisos sincronizados, muito menos cumplicidade na troca de olhares. A cadela abriu a boca gigante para um jato quente de erros, erros que dessa vez não tinham gosto bom. Agora só restava aquele maldito arrependimento pós coito de que estava fugindo há tempos.
"Primeira impressão de nada vale, me sinto um lixo. É bom que o álcool limpe essa sujeira toda da minha mente e tire esse maldito gosto de minha boca. Estou fraca pra essas coisas, chega! Eu não jogo mais. Não aposto. Não luto. Não invisto. É, não adianta baixar o preço, são as almas que me sustentam e sempre irão me sustentar."
Depois de discursar contra seus próprios atos, Ágatha resolveu deitar e isolar-se novamente. Era preciso recuperar as forças, tanto nos porres quanto nas músicas. Ainda não tinha coragem para voltar às noites de farra, preferia madrugadas bem dormidas. Aumentou o som e compartilhava suas doses com Sinatra. Estava mais clássica e quem sabe até bem mais chata. Era isso, não queria o gosto de pessoas comuns, não tinha mais vontade de fingir sanidade. Ágatha tinha muitas inseguranças, e de certa maneira os equilibrados não lhe davam força, a adoeciam e ela precisava mesmo era de quantidades fortes de loucura para se curar.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

ELA. SOMENTE ELA.

Ela pode ser o amor da sua vida, pode te mostrar os prazeres de uma alegria em constante subida, querer seu bem, não importa o sacrifício que seja tomado. Quem sabe ela possa te fazer sorrir, como quem tem um anjo ao lado.
Ela estará entre os dez mil motivos que você tem pra chorar, fazendo arder e pesar as mais de vinte mil lagrimas que derramar. Ela também será seu suspiro de alívio ao final de cada dia, diante de cada convite da morte estampado no sarcasmo da rotina. Apenas o sorriso presente nos olhos dela te dará forças pra viver, cuspir a covardia e continuar.
Além de ter o poder de um dia tornar-se o amor da sua vida, ela tem habilidade magistral pra invadir seus pensamentos e dominá-los a ponto de que você suplique por uma camisa de força, por injeções fortes de qualquer coisa que a apague de sua mente. De seus assuntos. De seus gestos. Algo que a mate principalmente de seus toques, que são dela e pra ela, não importa quantas tentativas tenha de se viciar em outras.
Vício esse que corrompe a razão do saber ou crer. Ter o corpo inundado com a certeza de que não sei o que sinto, o que vejo ou penso. Ter as palavras cuspidas em forma de poesia e pisadas como se fossem merda de cachorro. As definições confundem e distorcem a ilusão da vida real. O vício da incerteza, os prazeres e as dores se equiparam em uma disputa de qual mais ela trás. Dores e amores vindos da mesma mulher.
A dor que ela provoca é o que a melancolia de cada dia te trás hoje. Ela te viciou em sofrer e já não vive mais sem isso. Quando está por perto te inunda de alegria, mas é quando ela se afasta que você gosta do que sente. A dor no coração, os pensamentos atordoados causando enxaquecas fortíssimas. A mulher que te trás a dor da abstinência, a maldita presente somente em seus tragos e na fumaça de seu cigarro. Aquela que devolve seu paladar, mesmo tendo as palavras e atitudes que descem rasgando e queimando o esôfago como uma dose forte. Ela gosta mesmo é de brincar com o jogo da morte da sua sanidade. Seu objetivo consiste em alimentar a diversão de jamais te deixar descansar em paz.




Dá série de devaneios com Erik da Insana-mente .

segunda-feira, 25 de abril de 2016

SOBRE ESCONDER PAIXÕES, NÃO SABER LIDAR COM CASAIS E SER MADRINHA DE CASAMENTO

Quando estava na primeira série escrevi na carteira "Jonas bonito", eu tinha seis anos e noção nenhuma de namoricos de criança, mas, resolvi deixar registrado que o menor menino da sala,que mesmo sendo bagunceiro conseguia estar entre os queridinhos da professora, tinha a atenção dos meus olhos, quase sempre voltados para as borboletas e pássaros fora da sala do que para a matéria na lousa propriamente. Além de registrar na mesa, fui tonta o suficiente para permitir que os outros vissem meu escrito e mostrassem a declaração para a 1ª D inteira. Crianças são o diabo em miniatura,e, em vez de apoio, recebi doses da mais pura e forte tiração de sarro. É, eu era/sou bem esquisita mesmo, não para o lado espanhol, e sim no sentido de estranhona mesmo. Naquela idade já tinha o tamanho, e a brutalidade nas palavras, que tenho hoje, mesmo sendo a mais nova da turma. O menino bonitinho era cotado para representar a beleza da escola sendo noivinho em festa junina ou na frente da turma em qualquer outra atividade, justamente por ter sete anos, mas tamanho e fofura de uma criança de três. Me restava sempre o papel de coadjuvante, menos quando o assunto era por medo em alguém. Nesse caso eu era a melhor em anotar nomes, levar a fila, em sair correndo atrás, em assustar... Acredito que aquelas professoras hoje em dia teriam a licenciatura cassada, era um caso tipico de bullying que ninguém dava importância. Se minha mente fosse fraca, voltaria lá e mataria todo mundo. Ou não.
No outro ano, com outros colegas e outro menino mais bonito da escola, também tive uma paixonite, dessa vez, sem escrever em locais públicos, apenas no espelho de casa embaçado pelo vapor do banho. Esse se chamava Luis Henrique, e pra melhorar as coisas, outra menina, também super bonitinha, também era apaixonada por ele. O casal coisa fofa da segunda série tinha apoio do corpo docente inteiro, mesmo eles nunca se falando. Nós dois éramos amigos de vida acadêmica oposta: Ele um legítimo semi alfabetizado da segunda série, com dificuldade em números e leitura, mas habilidade incrível para estressar e prejudicar a saúde mental de uma profissional em educação infantil com anos de magistério, e eu, uma aspirante a CDF, com o cabelo sempre armado, joelho ralado, braço quebrado e uniforme sujo de toddy, que gostava de se misturar com os piores alunos da sala. Em casa havia muita cobrança em relação aos estudos, mas nada me impedia de ter amigos bagunceiros e burros, muito menos de andar com eles pra cima e pra baixo. A garota que também gostava dele, uma vez me pediu ajuda para avisá-lo que seriam namorados, caso Luís aceitasse o pedido, e que deveriam lanchar juntos. Foi bem difícil fazer aquele favor, e mesmo com a autoestima ferida, levei o recado. Vocês devem pensar "Porra, mas se gostava do cara era melhor não ter aceitado passar por uma situação dessas e abrir o jogo pro moleque, ele não iria adivinhar.", pois bem, nunca tive noção de como agir pra ter um namoradinho, ter um par não estava nas minhas prioridades. Sempre acreditei no "Tá na cara que eu gosto, pra que falar?", enfim. O acontecido se deu durante uma brincadeira de menino pega menina, e foi na lata "A Letícia quer falar com você! Quer ser sua namorada" e a resposta mais na lata "Mas você é que é minha namorada!" . Não entendi nada, mas caí na risada e continuamos brincando, e nosso "namoro" era baseado em brincar de lutinha, rir um do outro e sentar separados pela professora que apoiava o casal Letícia e Luís. Eu junto dele era apenas encrenca, uma perda de tempo, pois ele poderia atrapalhar meu rendimento e eu não podia andar com um aluno que batia cartão na diretoria de tantas broncas que levava. Nunca confessei que gostava dele, nunca fomos o casal de bonitinhos, ele mudou de escola e eu arranjei outro pra me atazanar.
O terceiro "amor" veio na terceira série. Lucas, o bagunceiro inteligente. Aí eu já entendia que os certinhos não mexiam comigo, gosto dos que me fazem rir, mesmo que eu seja o motivo das piadas idiotas. Esse, além de ser da turma bagunceira, tinha também as melhores notas. Sempre falando mais que a boca e ligando em casa quando eu já estava dormindo, contentando-se em falar com meus pais sobre a aula, o recreio e os livros que a professora havia passado. Nossa promessa era namorar quando fizéssemos 16 anos, até lá, seríamos apenas melhores amigos. Não sei que fim deu esse cara, sei que depois dele passei a esconder todas as minhas paixões. Platônicas ou não - aliás não alimento paixões platônicas, busco a reciprocidade - . Nunca dava certo, me sentia feia perante as outras pretendentes e me contentava nas amizades. Umas coloridas e outras não, a maioria não. Todas muito boas, vale deixar bem claro. Com essas parcerias, adquiri o hábito de não lidar muito bem com casais, mesmo nas vezes que tentei ser um. Minha vontade maior era de rir e fazer bagunça, não de ter compromissos pautados em diga que me ama, escreva nossos nomes e coloque um coraçãozinho no papel, vamos usar aliança e todas essas coisas. Mesmo bancando a desapegada, nada do que aconteceu me impediu de ser uma louca ciumenta. Ainda sobre casais, não que eu não goste, apenas não sei lidar com alguns, não sei o que dizer ou como agir diante deles. Isso piora quando é um casal amigo que insiste em me colocar no meio de discussões em mensagens, telefonemas e caronas. Eu não tenho saco! Costumo dizer que pra transar ninguém chama, mas pra fazer reclamação, comprar presentes e outros atos que não me apetecem, passam horas falando comigo.
Não me afastei totalmente de pares, com alguns a aproximação foi instantânea, sem qualquer outro tipo de interesse, sem nada que irritasse a convivência e com abertura suficiente para que quando houvesse qualquer início de chateação um "vão tomar no cu" resolvesse tudo. Há um tempinho atrás, quatro anos exatamente, rompi com esse negócio de ser casal sem ser amigo, esse negócio de ter que ser outra pessoa na frente do cara, esconder a loucura e tals. De recompensa me juntei a um casal de grandes amigos e vivemos juntos. O mais engraçado nesse período era a reação dos outros em relação a nossa vida, do que nosso modo de viver mesmo. Acontece que choca muito mais eu chegar num lugar beijando um homem e uma mulher, do que um cara que deixa a mulher em casa e sai apresentando outra como namorada para os amigos, isso nós vemos aos montes e ninguém questiona. Particularmente, eu achava mais elegante ser um trio de namorados. Mas é aquele ditado né "Minha vida é minha e a sua que se foda". Cada um sabe como jogar suas cartas. Meu trio maravilha acabou e foi muito bom durante os três anos que durou. Não haverá no mundo relação mais aberta e verdadeira do que a que tivemos, o amor que compartilhamos é um sentimento que será dividido pra sempre, mesmo sem toques sexuais e noites de farra. Desde então, mesmo quando faço parte de um casal normal, penso em ser um trio de vez em quando. É bom sair dessa coisa padronizada, ou talvez seja apenas a dificuldade em encarar a vida a dois mesmo. Isso não quer dizer que eu deseje passar a vida inteira dividindo amores, não. É somente uma maneira de divertir e desmistificar as relações.
Há algumas semanas saí pra beber com uma amiga e nos demos conta que mesmo sendo duas pessoas conhecidas por não gostar de ninguém de primeira, temos os mesmos gostos e às vezes os mesmos gestos. A conheci em um grupo de amigos e entramos em sintonia desde o primeiro dia em que nos vimos. Não sei se por artimanha do demônio que nos uniu, ou por afinidade de vidas passadas. Ocorre que a gente se gosta a ponto de passar horas juntas fazendo e falando muita coisa boa, talvez errada para a maioria, mas deliciosas ao nosso modo de ver o mundo. Entre nossos pontos em comum, temos o fato de não saber lidar com casais. Ela comentou que em uma das conversas com o namorado, alertou não saber o que fazer com o domingo típico de casais, recheado de filmes, preguiça e cama, que era chato discutir por ciúmes de roupas, amigos e mais o que quer que fosse. Assim como eu, ela é louca e ciumenta com amigos, tem tolerância zero para briguinhas e mimimis totalmente desnecessários. Funciono da seguinte maneira, se meu garoto disser que iremos transar de manhã, de tarde e de noite, todos os dias, não acharei ruim. Estarei linda, bela, cheirosa, disposta e depilada para qualquer chance de sexo, porém, caso haja dr's o dia inteiro, eu terei preguiça de permanecer na relação. Entendem? Meu problema é com a forçação de barra. Essas palavras são dela, mas eu também poderia ter dito as mesmas coisas sem mudar uma vírgula. Por isso que a gente vive junto e se dá bem e é por isso também que há algum tempo, nem tanto assim, fomos um dos melhores trios inesperados da minha vida.
Mesmo com toda essa aversão à relações padrão, fui convidada para ser madrinha de um casal do qual nunca participei e que nem conhecia a noiva. Cerimônia religiosa e tudo. Ta aí, coisas que não gosto: Igreja e Casamento. Acho difícil amar alguém a ponto de misturar Estado, Família e Religião, isso é sandice. Até hoje não entendi o motivo de me escolherem, creio eu que havia um número mínimo de padrinhos e me colocaram lá no altar para completar a foto. No sermão, o padre pediu que os noivos formassem família, isso eu acho importante. É gostoso ter um final de semana com churrasco carregado de carne, cerveja, amigos, tios, sobrinhos, primos e muita bagunça. Ao continuar sua palestra motivacional para que os noivos não desistissem da nova vida, ele também pediu que a nova geração viesse sob os ensinamentos de Cristo, aí já não é comigo, posso formar uma família sob os ensinos de Don Corleone, ou com as canções e truques de Mogli, quem sabe até ensinando a cumplicidade dos 11, 12 e 13 homens de Daniel Ocean. Pra mim, isso não era da conta do padre, mas o casamento não era meu, e visto a minha desavença com assuntos religiosos, nem poderia. Quando me casar, se me casar, certamente será uma cerimônia em Vegas, ou em qualquer bar, regada a álcool, muita comida, gritos de Vai Corinthians e música dos Stones. Sem necessidade de qualquer padrão imposto e longe de qualquer autoridade religiosa.
Imagino que meus votos malucos sejam mais verdadeiros dos que o que o padre pediu para que meus primos falassem. Deu uma leve vontade de casar e caso eu tivesse que proferir coisas boas para uma nova vida à dois, elas seriam ditas assim "Eu prometo amar, cuidar e respeitar. Na saúde e na doença. Somente na riqueza, pois riqueza atrás riqueza. Caso haja pobreza, que seja passageira e sem sofrimento. Que as noites de sexo sejam também dias, tardes e madrugadas. Que ato de dar boas chupadas um no outro seja mais importante do que brigar pra ver quem vai lavar a louça. Que sejamos um trio sempre que uma amiga gostosa mostrar interesse. Que o selo marido e mulher não caia como uma cruz em nossas costas. Que a parceria de beber, falar merda e dar risada não se acabe por coisas pequenas. Em nome de Jimmy, Mick e Tyler. Sem troca de alianças. Goles de whisky e bora dançar."

terça-feira, 19 de abril de 2016

NADA ME DEIXA MAIS LOUCO DO QUE UMA MULHER PRESA NOS BRAÇOS DE UM IDIOTA QUE NÃO SABE O QUE FAZER QUANDO ENDURECE

Se vocês me perguntarem como vim parar aqui, terei o enorme prazer de dizer que cheguei nesse lugar através de minhas mais arriscadas aventuras. E por aventuras, pensem em fazer coisas que a maioria teme, essas merdas de arder no inferno e ter a alma condenada. Nunca acreditei nessas coisas, mas sou temente a Deus, e, em nome dele jurei, por todas as ereções que tive, desde a primeira, que viveria em pró do prazer, nada mais além disso. E, foi assim, meus caros amigos, que cheguei nesta casa de loucos. Embora haja um nó em minha garganta, acho importante que saibam o que vivi e que tirem experiência do que irei dizer. Mulheres, é por elas que vim pra cá. Tenho 35 anos, mas elas acreditavam que eu fosse mais novo, sei lá, acredito que o instinto maternal apitava e somente se juntavam a mim e topavam minhas loucuras no intuito de recuperar-me de algo que eu não queria me libertar, pobres moças, talvez esse jeito louco também fosse o que as atraía, vai saber o que se passa nas mentes femininas? Ainda mais em relação a aventuras sexuais. Sim, somente aventuras. Sempre deixei isso claro. Era, vista-se e suma. Ligue de novo e traga uma amiga se sentir saudades, mas não passaremos disso.

Lúcia, uma das moças que consegui rodando por São Paulo, tinha uns 30 anos e aparência de bem menos. Era pequena, mas com peitos enormes e uma bunda linda, redondinha e empinada, boa de levar uns tapas. Ela trabalhava numa loja na Consolação e almoçava num PF sujo que tinha na Av. Angélica, era lá que eu passava, foi lá que a comi com os olhos e arrisquei contato. Ponto para o meu time, consegui um número de telefone e passamos a nos falar diariamente. Não demorou muito para que confessasse que seu namorado super certinho não fazia o serviço direito, a menina tinha as chamas do inferno em baixo das saias de seu uniforme de vendedora, e o namoradinho tapado não tinha a capacidade de perceber isso. Nada me deixa mais louco do que uma mulher cheia de tesão presa nos braços de um idiota que não sabe o que fazer quando o pau endurece. Eu os vejo como ratos de laboratório submetidos a experiências de estímulo, a cada aumento da dose de serotonina e endorfina ficam mais agitados e mais incapazes. Alguns caras eram assim, possuíam um leque gigantesco de estímulos, mas a reação era adversa, enlouqueciam de jeito errado ou nem enlouqueciam, não suportavam a dose e babavam até adormecer. Enfim, Lúcia era uma vadia de alto a baixo, que não hesitava em mandar fotos sensuais, mesmo em horário de trabalho, ela levantava a saia e empinava a bunda, colocava uma legenda "Vem", essa era sua maneira de me desejar um bom dia. Mandava áudios tão safados, que por vezes,eu ficava constrangido. Dizia ter vontade de me chupar até que minhas pernas ficassem bambas, falava também em ter sede de mim, que desejava me engolir por inteiro, adoraria ser submissa e faria o que eu mandasse, toparia ménage ou voyeurismo. Achei estranho, suspeito dessas que topam tudo de uma vez, geralmente são completamente malucas. Já é bem difícil conseguir uma mulher que aceite te chupar com outra, acho que rola uma competição interna, sei lá, e encontrar uma que implorava ser amarrada pra me ver fodendo uma desconhecida era realmente estranho. Ou muita sorte, quem sabe? Tenho uma queda por sandices.
Alguém lá no céu, ou no mundo das trevas, gostava de mim e permitiu que eu fosse capaz de realizar algumas fantasias de Lúcia. A garota de 30, que mais parecia ter 15, com o tanto de mensagens, fotos e vídeos que mandava e vontade de foder que tinha, isso me irritava. Ela não me deixava em paz, provocava até cansar. Por vezes, pensei em desistir, mas havia algo maior nisso tudo, e quando há forças maiores te motivando a continuar, é melhor aceitar e deixar acontecer. Foi o que fiz. Uma vez me confessou que seu marido, era assim que eu chamava o namorado dela, a colocava de quatro, como uma cadela, do jeito que gostava, mas não permitia que ela rebolasse em seu pau, nem que ousasse se mexer lentamente ou rápido demais. A desculpa era de que assim gozaria rápido, ela se sentia frustada, mas obedecia, não tinha coragem de propor coisas diferentes para ele. Temia assumir o lado puta e perder o moço. Já eu, instigava sempre o pior lado das mulheres com que saía, era gostoso trabalhar isso nelas. Ela dizia gostar de ser vadia comigo, se sentia mais mulher, talvez se sentisse especial, deve ser dessas coisas que as mulheres têm com os homens que se mostram canalhas logo, sem rodeios em dizer que querem transar e somente isso. Uma vez, com uma outra louca que ficava, ouvi que era necessário possuir certo talento para não prestar, e que eu tinha esse dom de não valer nada, de ser um vira-latas abandonado, que mesmo com a possibilidade de adoção preferia viver nas ruas se aventurando por boas refeições. Vadia esperta aquela, chamava-se Ágatha, e era tão louca quanto imprevisível. Ela gostaria de transar comigo e com Lúcia, na minha mente formaríamos uma boa equipe, mas ela havia sumido do mapa. Era outra cachorra abandonada, vivia por aí sem rumo...
Lúcia, confessou também que gostava de transar com o namorado, mas que pensava em mim quando ele estava dentro dela. Falou que eu mandava e ditava seus atos com facilidade, ousadia e autoridade que o cara não tinha e jamais teve. Não pude negar o quanto fiquei orgulhoso em ouvir aquilo, e fodemos de novo, fodemos como as cenas de morte de Hitchcock. A produção de estímulos agora era baseada em receber doses cavalares beta endorfina, a transa crescia como a Whole Lotta Love do Led Zepellin. Mandei que empinasse o rabo e rebolasse como uma vagabunda, pois era isso que era, e em cada sinal de cansaço, ela apanhava, mas continuava a obedecer e insanamente pedia por mais tapas. Os quadris pareciam ter ganhado vida própria, não cessaram um instante. Intercalavam entre movimentos lentos e rápidos. Puxei seus cabelos com tamanha força que se curvou para trás e mesmo com os olhos assustados, permanecia sorrindo. Aquilo me enlouqueceu ainda mais, a puta demonstrava felicidade em foder comigo. Colado ao ouvido dela sussurrei perguntando "O que você quer agora, vagabunda? Diga, o que quer?", com a respiração ofegante, e as pupilas dilatadas, senti seu corpo pequeno e quente tremendo, completamente sem forças. Ela me pediu pra morrer, disse que não aguentava mais me sentir pulsando dentro dela, queria que eu fosse a língua da morte passando por seus grandes e pequenos lábios molhados. Era isso mesmo que eu queria fazer, fodê-la até que encontrasse os braços da morte. "Fale mais alto, cadela.Implore!"
Lentamente soltei seus cabelos e acariciei seu rosto, gostaria de guardar na memória a cara da vadia que preferia morrer nas mãos de um cafajeste qualquer do que enfrentar novamente fodas medíocres com o namorado torpe. A mataria, não antes de judiar um pouco, e talvez vocês não entendam, mas uma loucura cresce em mim cada vez que uma mulher me implora algo, satisfazer de primeira não era meu jogo.

Fixei meu olhar ao dela e ela leu minhas vontades, ofereceu a cara a tapa e depois a outra face. Assim como os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo, um ato tanto quanto herege, mas belo de se ver. A heresia se completou quando ajoelhou, como se estivesse aos pés de seu Salvador, era assim que me sentia, iria libertá-la do marasmo de chupar um idiota, não que eu não fosse um, mas me desgarrava das idiotices para vivenciar alguns bons momentos, como esse por exemplo. Ela me degustava, saboreava, sugava e lia as alterações de minha respiração, fazia jus a última chupada de sua vida. Abriu a boca ansiando meu gozo em seus lábios e mesmo depois de gozar na cara da vadia, ela continuou me chupando, naquele momento eu também desejei a morte, nada mais fazia sentido. Mas a vontade de vê-la morrendo ainda era mais forte. Cravei minha mão em seu pescoço e em pé mesmo passei a penetrá-la, seus gemidos estavam fracos, mas mesmo assim me enlouqueciam. A joguei na cama e abri suas pernas, minha língua passeava por todas as curvas de seu corpo, por todos os cantos, e quanto mais se curvava, mais eu a saboreava, era meu prato principal. Sentia seu líquido e suas forças se perdendo cada vez mais, era a deixa que eu precisava. Abafei seus gritos e assisti friamente a vida escapando em seus orgasmos.Foi assim que vim parar aqui, matando uma vadia que pediu pra morrer. Apenas para satisfazer minha vontade de a fazer gozar até a morte.

Sabe, acho uma injustiça o que fizeram comigo, eu não merecia ser condenado ou internado, seja lá como vocês chamem essa prisão. Poderia chupar a delegada e escrivã juntas, até mesmo as enfermeiras. Elas gostariam de morrer sendo chupadas por mim. Eu sinto isso. Tenho faro de sandices, sou apaixonado por elas, já disse isso. Lúcia foi o maior dos meus casos, de todas as chupadas, a que eu nunca esqueci. Esse nó na garganta é apenas a abstinência de chupar alguém, tenho certeza. Por onde andará Ágatha? Bom, não importa. Aceito a condição de terminar os meus dias nesse manicômio, onde fazer gozar até a morte é visto como um crime, uma loucura. Vocês estão todos errados e mal chupados. Deus que os abençoe. Amém. 

segunda-feira, 21 de março de 2016

DOS ENSINAMENTOS FAMILIARES: QUEM PROCURA, ACHA!

Cresci levando o ensinamento de um tio da minha mãe e repito suas palavras comigo sempre que estou prestes a fazer alguma cagada. A história é mais ou menos assim, um primo motoqueiro morreu, pois estava sem capacete e sofreu um acidente. Se não me engano, derrapou, caiu, quebrou o pescoço e encerrou sua participação na Terra. Direto, sem escala pra agonizar em hospital ou aparecer no noticiário da tarde. Esse tio, com a sutileza característica presente em todos os seres da família, bradou sem eufemismos para a mãe do defunto que, na minha imaginação, soluçava ao chorar a morte do filho. "QUEM PROCURA, ACHA! QUEM PROCURA, ACHA!". Um jeito grosso e sincero de não estar nem aí para chorumelas, "Seu filho estava sem capacete, minha senhora. Queria mesmo que ele sobrevivesse a essa queda? Sinceramente, ele procurou. Bola pra frente, pois a gente ainda tem mais o que fazer. Tem velório, tem enterro, papelada e amanhã ainda tenho que trabalhar." Pude perceber esse tom de "ele morreu, mas nós não", com os outros tios que conheci em outras mortes que presenciei. Ninguém transa com a morte, ou com o sofrimento. Era algo como combinar um churrasco com os sobrinhos e primos que ainda não conheciam, enquanto o morto era levado para o enterro, ou enquanto os outros choravam no velório. Acho que vem daí a minha falta de sensibilidade pra algumas coisas. Coisas mínimas, advirto. Minha primeira reação com a perda de alguém é gritar. E essa perda pode ser por morte ou não. Depois é a hora quebrar a casa inteira, bater nas coisas, ganhar alguns hematomas e chorar até dormir. Os dias seguintes são mais tranquilos. 

Lembro também da morte de minha madrinha, uma das poucas pessoas da minha família que eu realmente gostava de ter por perto e conversar. Tive a notícia da morte dela no trabalho, foi bem direto "Dessa noite ela não passa, acho que só vão ligar à noite pra avisar, mas, já não está mais entre nós". Deixei minha mesa, entrei no banheiro da empresa, fechei as portas, sentei no chão e comecei a chorar. O choro cessou, lavei o rosto, cogitei ir embora, mas continuei por lá, eu tinha coisas a fazer e nada faria com que ela voltasse à vida. Na madrugada veio a notícia oficial, e então rumei pra outra cidade pra acompanhar todas essas coisas de morte. Acredito que chorava mais por toda mentira contada em vida, sabem, essas coisas de seja saudável, sempre estaremos juntos e tals. Ela era fumante e parou, se alimentava bem, bebia quando queria, cuidava da mãe e dos irmãos, ia sempre ao médico, trabalhava com o que gostava, dava festas maravilhosas, viagens espetaculares, viveu os amores que teve vontade e dizia que mais valia um gosto do que dinheiro no bolso. Pois bem. Morreu de um câncer estúpido. Desde então, não acredito na cura dessa doença. Não acredito em liminares. Não acredito em juízes. Não acredito em vida saudável. Não acredito em nada, não. Até duvido da fé. 
...

E acho que passei a duvidar da fé muito cedo, meus pais se separaram oficialmente quando eu tinha uns cinco anos. Quando digo oficialmente, quero dizer isso de assinar papéis e sair de casa. Época em que as mulheres daqui de casa frequentavam diversas igrejas, elas me disseram que se eu pedisse com fé, tudo voltaria a ser bom. Pai e mãe em casa, casamento perfeito... Bom, eles voltaram muitas vezes depois, uma pior que a outra. Talvez Deus não falasse português, ou então, eu não soubesse me expressar. Meu pai me deu de presente de aniversário de 15 anos um "Parabéns, filha. Agora não tem mais como o pai afastar os marmanjos" Bom, eu nunca gostei de festa de debutantes,e a figura paterna super protetora nunca esteve em meus dramas, mas como boa leonina que adora ser mimada com presentes, desejava ao menos o primeiro par de sapatos de salto e um sutiã de renda com bojo, nada mais de personagens fofinhos em peças de algodão. Uns tempos depois tivemos uma briga feia, e eles se separaram. Dessa vez, eu também assinei o divórcio. Nos damos bem os três, via telefone e redes sociais, embora meu velho ainda troque o nome das filhas algumas vezes. Já não ligo mais. O que sobrou disso é a certeza de que Deus não me ouviu mesmo. Aí eu passei a não ter fé em nada que tivesse que ser posto nas mãos Dele. Passei a desacreditar de casamentos, nunca tive um bom exemplo de relação. O casamento, o rompimento, o sacramento, o documento, como um passatempo, quero mais viver, com aflição.

A fé diminuiu mais ainda quando meu gato morreu, e isso vai fazer um mês, procurei então não acreditar em qualquer coisa fora do nosso alcance. Fatalidades acontecem. Deus não tem nada a ver com isso. Talvez Ele esteja preocupado com as crianças na África, morrer de fome é uma tristeza bem maior do que ter pais divorciados, ou de perder um animal de estimação em um acidente. Morrer de fome e não ter onde cagar e tomar banho é bem pior do que ver alguém morrer de câncer. 
...

Assim como o tio mais velho que não conheci, meu padrinho assumiu a postura prática das coisas na morte da minha tia. Cuidou de documentos, fez piadas, nós marcamos festa, nós choramos e seguimos com a vida. A gente não precisava procurar tristeza, se fizéssemos isso, certamente acharíamos e ela não nos ajudaria em nada. Poucos meses depois aconteceram outras mortes na família. Parecia dengue, ou virose. Quatro com o cachorro. Bate na madeira. Com esse monte de coisa acontecendo, tratei logo de fazer tudo que me desse vontade também, pois, se quem procura acha, nada mais justo do que eu procurar algo que me fizesse bem. Um dia de luto, outro de churrasco com desconhecidos. Mais um luto? Então no outro final de semana eu preciso dançar pra espantar os fantasmas. Viagem pra acompanhar um enterro? Preciso de um x-bacon na volta, são 4 horas de ida e mais 4 de volta. Ninguém merece tantas horas num ônibus. Preciso de umas férias de verdade também, não dá pra viajar somente a serviço do choro. Vamos pra Bahia? Sempre quis sair um pouco de São Paulo. Dinheiro é mato. Viver assim é infinitamente melhor. 

Foi desse jeito que também lidei com o fim de algumas amizades. Aliás, o fim de algumas companhias. Tenho por mim que amizades não se acabam, são sempre parcerias. Se elas se esgotam, na verdade nunca foram de grande importância e caso não tenham grande importância, bem, nem precisam ser chamadas de amizade. É um papinho clichê que dá sono - Isso é redundância? - anyway, vale lembrar. 

Há um tempo um cara que era amigo de rolê reapareceu no meu mundo. Fico perplexa com esse povo que faz merda e tenta remanejar as coisas como se nada tivesse acontecido. Caralho! Será que eles não sabem que quem procura acha? Foi assim, ele começou a namorar e sumiu. É bem normal, né? Mesmo eu não gostando de coisas normais, não era um problema meu. O problema começou quando a pausa no sumiços ocorria em períodos de briga com a garota. Isso irrita demais. "Vamos beber?" "Vamos, sábado estarei na Augusta com as meninas" "Ah, não. Tinha que ser hoje. Vou dar um perdido na fulana" "Leva ela, porra. Aí ela já conhece todo mundo e para de graça." "Ah, não. Mas ela causa de mais..." "ZZzzzzzZZzzz" . Isso aconteceu vezes o suficiente pra eu me cansar de reclamações da vida do casal e apagar o cara da minha lista de pessoas suportáveis. Tem uma outra fulana também, herdei do meu melhor amigo - que sempre me presenteia com suas ex's malucas. De duas eu gosto, são boas amigas- , essa só aparece quando tá na merda mesmo. E como eu disse num texto antes, em merda dou descarga. Uma noite eu estava de papo com um amigo, que não vai nadinha com a cara dela, e vimos uma foto da bonita de rolê com outra. A novela mexicana dessa aí é sair de rolê com a ex, do ex dela, que ela chamava de maluco, bem, é complicado, e se eu me estender acaba parecendo indiretinha de adolescente. Duas outras personagens também marcaram presença nessa bagunça toda de gente reaparecendo. A menina que quer me ver morta e sua amiga vuduzeira também solicitaram amizade. Em que mundo estamos? Tentar ser assim me embrulha o estômago, fingir que nada aconteceu é de uma frieza que não me apetece. Me restou rir. Apenas. 

O que quero dizer é que eu não supero as coisas, eu acho que não ligo somente enquanto não tenho notícias. Basta ver pra sentir raiva de novo. Na tortura toda carne se trai, normalmente, comumente, fatalmente, felizmente, displicentemente o nervo se contrai com precisão. E não disfarço, não tem essa de respirar fundo e esquecer. Eu me sinto mal. Uma bosta. Não faz parte de mim procurar o que não estou afim de sentir. Freud explica. Não vou me sujar fumando apenas um cigarro, quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval. E que se foda.