quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A RETROSPECTIVA DA MOÇA

Acredito que nesses 12 meses ela tenha se descoberto de maneira que jamais ousara imaginar. Era mais sensível e mais mulher, chorava tanto aos desamores quanto às paixões. Nesse ano, a moça descobriu que não merecia passar por cólicas fortes, sangramentos, rituais de beleza, dívidas, lingeries caras, noites ruins e conversas fiadas, para acabar em fodas de emergência com quem não bebia de sua alma. Ela agora suplicava por uma transa com a vida, ansiava por uma força que a colocasse de quatro, afundasse suas costas e a penetrasse com o membro pulsando junto ao seu coração, gozando gostoso como suas gargalhadas e que a sujasse inteira: rosto, boca, seios e coxas. Alma. Desejava ser invadida, queria suas roupas e máscaras jogadas no chão. Algo que a tivesse por completo, sem medos, sem neuras, sem prisões.

Ela demorou meses para aceitar que oferecia euforia aos pequenos corações, demorou para compreender que amar era deixar livre, e ser livre também. Reconheceu seu reflexo nua no espelho, fez poses e decidiu, somente esse ano, que poucos mereciam tê-la assim. Orgasmos eram presentes que se dava sem data especial. De Janeiro a Dezembro, a moça completamente maluca, que gostava de chupar e ser penetrada com olhares, descobriu que não se deitaria com respirações fracas, não compartilharia suas fantasias de orgias gregas com meros sonhadores de aventuras medíocres.
Nas doses que queimavam sua garganta e deixavam seus toques ora leves, ora puramente sexuais, pedia apenas um cérebro que pudesse lamber. Era isso, a menina despertou sua originalidade, escrevia suas histórias, queria um prato de ideias novas, uma torta recheada com cérebros mais insanos que o seu. 


E ela demorou esse ano inteiro pra compreender que de nada valem as pragas, que chupadas só valem se forem intensas e recíprocas, que só fica por perto quem quer e que a ansiedade é a pior maneira de morrer.
Então matou sua garrafa de Whisky, pediu por um novo ano de descobertas, anseios e fodas recheadas de tesão incontrolável com a vida.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

DELÍRIOS E DESEJOS PROVOCADOS PELA INSÔNIA

Comecei um devaneio de novo, são noites e noites sem dormir e já não consigo pensar em nada concreto. Lembro que estava imaginando, criando ou me relembrando de um corpo feminino completamente nu. Seios enormes e fartos, mas não conseguia me excitar, talvez ela fosse gorda demais, precisaria de uma foto de seu umbigo... Umbigos. Tara por umbigos. Tara por umbigos? É, é algo exótico. Não sei... Estou sob efeito de alucinógenos.

Mais uma noite sem pegar no sono, meus olhos pesam como sacos de meia tonelada, a mão do ceifador está em meu ombro esquerdo neste momento. Eu sinto o hálito quente do carrasco, ou da bruxa gorda de peitos gigantes e sem umbigo. A fumaça do cigarro embaça a visão, minha garganta aperta e quase me mata implorando por um gole de Whisky. Aliás, ela suplica por litros de Whisky. Queimação alcoólica ressuscita, aumenta a barra de ânimo nesse jogo em que estou preso.

Sinto o pulsar do meu coração diretamente em meu cérebro. Cada veia salta forte, cada batida é como uma agulha ferindo minha mente. É uma dor que vem em escala, ela é fraca e vai se graduando até ficar insuportavelmente aguda, sabe? É como se aquela enfermeira velha, que destrói qualquer fantasia com essa profissão lhe aplicasse uma Benzetacil. Não gosto dessa dor, não gosto da enfermeira, não gosto das pessoas que me rodeiam e das lembranças que me trazem. Elas não despertam nada, apenas asco. É preciso desejar quem está perto de você, querer com força, querer se despir junto, escancarar os maiores medos e desejos.

Só gosto de gente que me dê vontade de arrancar a roupa, tamanha a excitação que a presença possa provocar, sou um homem tido como estranho pelos outros, meus gostos são demasiadamente complexos. Me enche de tesão o papo, a inteligência e a segurança. Esse tipo de atitude que pede uns tapas na cara e umas mordidas. Você não consegue explicar o motivo de querer fazer isso. Mas faz. Faz só para sentir o arrepio, para sorrir de satisfação e constatar “era isso mesmo que eu queria”. Esse tipo de gente que cura a minha insônia. Os remédios ainda alteram o meu raciocínio, que já não é tão lógico normalmente. Nem posso afirmar que sou de exatas ou de humanas, posso ser frio e calculista ao mesmo tempo que consigo declarar odes ao amor e filosofar sobre a origem da humanidade. 

Minha cabeça agora é apertada por um grifo gigantesco e a imagem da senhora mal-amada não sai de meus pensamentos. Como será o umbigo dela? Talvez ela também precise de uns copos de Whisky, acho que completamente bêbada se tornaria minimamente interessante e não perturbaria minhas fantasias, e sim as completaria descendo amarga e docemente pela minha laringe. Posso imaginar seus gemidos me ensurdecendo. Se minha cabeça não doesse tanto, seria capaz de sentir sua respiração ficando cada vez mais forte, a vejo sincronizando-se aos meus movimentos, eu poderia ouvir o som de cada uma de suas articulações, posso pensar que ela teria um ataque de espasmos quando gozasse, acho que ela necessita disso. Quem sabe se ela abandonasse a antipatia e a cara de desgraça, pudesse assumir uma nova personalidade louca e ansiosa por três horas insanas de sexo em algum motel barato? O álcool tem essa mágica. Consigo imaginá-la em meias 7/8, saltos altos e finos, com o corpo envolto numa lingerie cara. Renda preta sempre configura uma boa imagem. Aposto que é isso que ela quer, por isso me tortura com essa maldita injeção de desânimo. Ela quer me sacanear, quer ver até onde aguento. Eu suporto torturas, o que me mata é o tédio.

Seguro a mão do ceifador como quem pega uma caneta para escrever, minha gana por um fim é infinita.  A dor é suportável, a falta de sono que me corrói. Só queria dormir. Queria morrer por alguns instantes e abandonar tudo: A enfermeira dançarina peituda. As noites recheadas de álcool e sexo, as tragadas longas, tudo isso pouco importa. Eu preciso dormir. Com os braços abertos, aceito a morte nossa de cada dia, que nos cumprimenta sutilmente a todo instante, nos saúda cordialmente num: boa tarde, e em mais de quinhentos: boa noite. Mas está claro que minha alma não será levada... mais uma vez. Não será tão fácil assim apagar minha aura. Assim como o nojo humano insiste em me perseguir, o desejo pela morte anda de mãos dadas com o amor pela vida.


A cada engolida seca – e desesperadora-  que me dá a sensação de, de... puta que o pariu! Me perdi no raciocínio... não se perca em minhas palavras, não se contagie com o que eu sinto, são coisas minhas que jamais lhe cairão bem. Não servem nem em mim... quem sabe eu queira dizer alguma coisa com toda essa reclamação? Talvez lendo de trás para frente isso tudo faça um sentido, ou talvez nunca faça e seja mais parecido com um bolo fecal do que com reflexão. Por hora fecharei meus olhos e torcer para que isso acabe, torcer apenas para que chegue ao fim.


Mais um porre que tomei Insanamente com Erik Lucas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

AS PERGUNTAS QUE MAIS ASSOMBRAVAM SEUS SONHOS, E O FAZIAM SUAR FRIO, COMO SE O PRÓPRIO DEMÔNIO VIESSE LHE COBRAR AS DÍVIDAS DAS VIDAS QUE CESSARA, ERAM: QUEM VAI ASSUMIR A MAIOR DISTRIBUIÇÃO DE DROGAS JÁ VISTA? QUEM IREMOS CULPAR? O QUE ACONTECERÁ QUANDO TODOS DESCOBRIREM A VERDADE?

E naquele dia a notícia foi dada: O principal suspeito estava morto, uma vértebra quebrada em um escorregão no banheiro. Morte besta. Sete anos e meio de investigação jogados fora! O suposto maior traficante da Costa Leste estava morto. Teria sua morte sido encomendada? E quem teria feito isso? Um concorrente? Talvez, pouco provável... sua vida criminosa não passava de história inventada, esse homem nunca foi envolvido com nada ilícito. Preocupava-se apenas com as flores e os vasos que vendia em sua loja. Por azar, tornou-se um suspeito sem crime. Era um sujeito comum, que teve nessa desgraça, o maior momento de sua história, até então, totalmente insignificante.

O acontecido foi arquitetado pelo Investigador Johnson, o verdadeiro criminoso, a pessoa que realmente comandava a Costa Leste... e mais 3 países. Sua distribuição era simples, porém, super eficaz. Ninguém suspeitava de seus métodos para enriquecer e manipular atos. Johnson era um ser sem escrúpulos, não media esforços para atingir seus objetivos. Construiu um império grandioso por anos. Vidas foram tiradas para manter sigilo e almas compradas para garantir fidelidade, e agora, uma morte ridícula pode acabar com todo seu disfarce. O Sr. Armander está morto, e o sabonete é o assassino, ou talvez um pequeno descuido... nunca saberemos.

O pobre vendedor de flores perdeu a vida em uma das artimanhas do Investigador, que há muito tempo se preocupava com quem poderia herdar seu poderio gigantesco fruto de inúmeros e ardilosos crimes. Havia diversas mortes impressas nas mãos. Seu jogo de interesses parecia uma partida interminável de War, cada participante daquela trama possuía um objetivo obscuro, ninguém se fazia de poucos amigos, todos estavam sedentos por poder e criavam suas próprias regras. Obedeciam Johnson enquanto lhes era favorável, e ele sabia que estava num ninho de perigosas najas, todas obscenamente venenosas. Confiar não era um verbo conjugado naquele meio. Ao mesmo tempo em que era tido como rei, também poderia ser facilmente vendido com um reles escravo. As perguntas que mais assombravam seus sonhos, e o faziam suar frio, como se o próprio demônio viesse lhe cobrar as dívidas das vidas que cessara, eram: Quem vai assumir a maior distribuição de drogas já vista? Quem iremos culpar? O que acontecerá quando todos descobrirem a verdade?

O medo, aliás, a paranoia e a mania de perseguição do Investigador tinham nascido em um tempo distante. Na época em que começou seus pequenos furtos e suas fugas para se drogar. Eram noites recheadas alucinações, que anulavam uma família falida. Ele era na verdade um jovem com graves problemas mentais. Apresentava níveis de psicopatia. Desapercebidos por seus pais, que sempre foram ausentes de sua história, para eles pouco importava a saúde mental do rapaz. Havia comida na mesa e era isso que bastava.

Tendo em mãos tantas mortes e um Império construído na base dos crimes mais sórdidos e cruéis de que a humanidade é capaz, Johnson começou a lembrar-se do dia em que ele fugia de um policial.  Jovem, e aparentemente saudável, deveria ser um atleta quando estudava, mas preferia concentrar-se em seus planos de enriquecimento para abandonar a miséria que o cercava. Aproximava-se das pessoas por interesse, ficava enquanto tinha vantagens. E somente enquanto houvesse credibilidade e confiança. Assim ficava seguro para conseguir atingir suas metas. Para isso forçava sorrisos, não media esforços para manter uma postura cordial, misturava-se aos bons, recrutava gente da mesma laia, chantageava, subornava, comia, matava, salvava e escravizava. Dedicava suas horas de solidão para que montar o roteiro de seus atos, antes apenas vividos em seu imaginário, mas ali naquele devaneio com sua juventude, tinha acabado de se dar conta de até onde seus desejos haviam o levado. Ele sabia que não iria conseguir escapar, ainda com a lembrança do que viveu naquela noite, recordou-se que em seus bolsos tinha o suficiente para ficar uma noite na cadeia, um baseado e um isqueiro, se entregar ou ser capturado era sinônimo de fracasso, sentia que isso personificaria sua impotência, ao ser preso minimizaria toda a grandiosidade das torturas que cometeu para chegar ao posto que ocupava. Agora seus bolsos eram de grifes famosas, além de medalhas e respeito, carregavam também muitos nomes, muitos conchavos e muito medo. Ele não construiu um Império para os outros, a fortaleza do crime pertencia somente a ele, por isso se tornou o investigador de suas próprias atrocidades. Nada, nem ninguém, poderia acabar com seu prestígio e sua imagem de autoridade máxima na polícia: O exemplo contra a indústria das drogas. O homem mais respeitado da instituição. O dono da Costa Leste. 

O Investigador Johnsson, como gosta de ser chamado, é conhecido por outro nome em seu verdadeiro "círculo". Ele é o Vulture. Cuida de suas próprias vítimas, gosta de ver seus "clientes" morrendo ao usar seus produtos. Há um boato que se espalha de que ele não tem coração, é incapacitado de demonstrar afeto por alguém. Fez questão de viciar seu filho, seu único filho, só para testar a eficácia de sua mercadoria. Engrandecer era palavra de ordem. Familiares são completamente descartáveis. A família que tem é de faixada, assim como toda a história de sua vida. Entrar para a polícia era parte de seus planos. Ele tornou-se o chefe de investigação de seus próprios crimes. Trabalha melhor do que toda a equipe dos serviços especiais Americano, manipulando pistas e suspeitos. Sempre que os casos avançam rápido demais, ele planeja e executa algo pior, assim consegue afastar qualquer possibilidade de conclusão. 

Certa vez realizaria a entrega de drogas de trem numa cidade distante, cinco policiais acompanhavam 60Kg de cocaína em sacos de café. Tudo corria bem, até que seus parceiros suspeitaram de algo e resolveram conferir a mercadoria que estavam levando. Johnson não poderia deixar que descobrissem a fonte de sua riqueza, ele era o mandante, o fornecedor e o cobrador de toda aquela farinha. Num pensamento rápido, armou uma maneira de eliminar os colegas de profissão e seguir com sua posição de chefe do tráfico. Ele cobraria pesadamente quem ousasse anular sua fonte de poder. Avançou mais casas no tabuleiro, dopou o maquinista, desviou o caminho, o trem descarrilou, os cinco morreram juntamente com os outros passageiros e a droga sumiu. Mortes acidentais acontecem a todo instante. O recado estava explícito: Ninguém atrapalha os planos de Johnson, nem mesmo seus companheiros de polícia.

Todos esses sacrifícios seriam em vão se não tivesse a quem culpar. Era preciso concluir o caso. A distribuição continuaria, mas quem assumiria seus negócios? Sua carreira na polícia também estava em risco pois, se descobrirem que o Sr. Armander nunca fora um traficante, e que todos esses anos de investigação serviram para nada menos que perda de tempo para uma equipe, e ganho de tempo para o dono do maior Império de drogas da região, não acreditariam mais nele. E sua vida policial teria um fim desastroso:

 - O que faremos? - Perguntou a Conrad, seu braço direito.

 - Acho melhor pararmos, já temos muito dinheiro, podemos simplesmente fugir e desaparecer, nunca seremos pegos!

 - Você quer abandonar um império? Abandonar tudo, largar nas mãos de amadores uma distribuição feita com tamanha perfeição durante anos? Um esquema milionário e perfeito? É ISSO QUE VOCÊ QUER? - Gritou Vulture.

- Não foi o que eu quis dizer Sr., eu estou dizendo que, se formos pegos, e apenas se, tudo será em vão realmente. Se fugirmos ainda teremos os lucros, podemos tirar proveito de tudo que fizemos.

- Você está certo, desculpe. – Disse Vulture coçando a cabeça em gestos de pura preocupação.

Conrad sorriu, ele nunca tinha sido ouvido. Sempre foi um excelente assassino, cumpria com seus objetivos com maestria, cuidava sozinho de metade dos distribuidores. Era ótimo pai, ótimo filho, sempre ajudando sua família, mas caiu, como todas as suas vítimas, morto e descartável. Uma bala no meio dos olhos, não deu tempo nem de piscar. Esse era o jeito Vulture de solucionar possíveis problemas. Conrad sabia demais, e apesar de ser o braço direito do chefe, não podia, e nem tinha gabarito para assumir todo o Império sozinho.

Agora restava apenas desespero para o Investigador Johnson, ou Vulture, suas duas personalidades estavam perturbadas. A loucura comia seu cérebro, como os cupins vão se alimentando de madeira. Fugindo, correndo, suando, desesperado e sem saber o que fazer. Chegou em casa, trancou-se no banheiro e novamente começou a delirar com a perseguição que sofrera quando jovem. Estava num beco sem saída encostado na parede, sua visão era do mesmo policial que o perseguia nos tempos de seus crimes amadores.
Podia ouvir novamente suas palavras:

- Nem ao menos sacarei a arma, não quero assustá-lo ainda mais. Acho que não o levarei preso, seus olhos estão vermelhos e cheios de lágrimas. Acalme-se rapaz, só quero conversar!

Mesmo anacronicamente, Johnson começou a gritar, como se de fato estivesse revivendo aquele momento:

 - AFASTE-SE DE MIM! EU NÃO QUERO SER PRESO!

 Ainda sentia-se ouvindo a voz do oficial:

- Fique calmo, eu só quero... - No ápice de sua fúria, começou a chorar e soluçar. Balançava o corpo e quebrava objetos. Lembrou-se de como conseguiu seu nome: Quando novo, pegou um cano de ferro que estava no chão e bateu na cabeça do policial, cinco vezes. Chorando e soluçando, via suas mãos sujas de sangue. Reviu o momento em que retirou o distintivo do cadáver. Estava escrito "Charles Johnson", seu novo nome. Levou o corpo para o deserto e deixou de presente para os abutres. Lembrava-se de como adorou vê-los comendo os olhos de sua vítima. Daí então seu apelido, Vulture. Pegou roupas, documentos e a arma, foi atrás de um amigo que falsificava documentos e desde então, manteve esse personagem para quando precisasse, e precisou.

Quando já tinha uma distribuição massiva e a polícia estava atrapalhando, foi para a delegacia e se apresentou como especialista em entorpecentes, um currículo invejável de investigações e apreensões. Investigador Charles Johnson, intimamente chamado de CJ e instantaneamente amado por todos.Um disfarce perfeito e bem elaborado, mantendo seus principais inimigos o mais próximo possível, orquestrando as investigações em seu benefício.

De volta a realidade que o atormentava, passou a se perguntar “Seria o certo mesmo deixar tudo para trás? ” Fugir para um país da América latina, onde nunca o encontrariam era uma boa opção. A quantidade de dinheiro que tem acumulado seria suficiente para 5 gerações viverem sem trabalhar. Mas ele precisava de um final, seu império tem que acabar de forma épica e dramática. Ele quer um fim, não um substituto.

Desenhou seu planejamento, todo aquele Império estaria pronto para um Grand Finale. Começa com a polícia, convoca uma reunião com todos os envolvidos, uma tocaia enorme e bem arquitetada para acabar de vez com essa distribuição. No mesmo dia, uma reunião com seus distribuidores, marcando a última entrega. É o fim de seus atos maléficos, mas ninguém contava com sua mente insana, imaginavam que anunciaria o substituto, o novo padrinho, um novo homem a quem deveriam respeitar.

O plano era macabro. Ele queria acabar com suas próprias mãos com todos os seus companheiros de crime, queria estar na sua emboscada, comandando a equipe de policiais que acabariam com o império. Queria terminar como um herói e assim fez. Invadiu o galpão onde acontecia a reunião, e deu a ordem:

- ATIREM!!! MATEM ESSES ASSASSINOS!

Era como se todos os policiais realizassem seus maiores sonhos de anos e anos de investigações. Matar aqueles que tanto eles perseguiram, durante tanto tempo, os maiores traficantes da história estavam sob a mira de suas armas, e assim fizeram, obedeceram a ordem do Investigador Johnson. O homem mais íntegro da instituição. O chefe do maior império de narcóticos. Executados a sangue frio pela polícia, a matéria já podia ser vista nos jornais: Fim! As drogas não serão mais distribuídas, acabou o reino de Vulture!

Os policiais comemoram e gritam o nome de Johnson, mas cadê ele? Todos se preocupam e o procuram, mas sem êxito. No meio de tantos mortos, o dia da glória para a investigação, a solução do caso, era estranho não ter a presença e euforia do Investigador. Até que o encontram no chão, com um tiro na nuca, descartando a possibilidade de suicídio. Então, o que aconteceu? Após alguns dias, a perícia constatou que foi um acidente. Um policial novato, ao atender o comando de Johnson, atirou em tua nuca. Ele morreu na hora, como um herói, assim como planejou. Aqueles que poderiam herdar seus negócios estavam mortos e aqueles que poderiam desmentir sua vida... mortos."



Dos porres que tomo diária e insanamente com Erik Lucas