terça-feira, 26 de junho de 2018

ÁGATHA, A VADIA MUITO BEM COMIDA E DESESPERADAMENTE MAL AMADA

Eram coisas simples da vida. Simples, no entanto, muito importantes. Importantes como cagar todos os dias, preferencialmente mais de uma vez ao dia. Era nesse tipo de coisa que Ágatha costumava acreditar, cebola, alho e óleo, pimenta e sal. Nada de receita rebuscada de felicidade. Isso na prática, pra ela, não funcionava.

Acreditava na simplicidade de mudar de músicas de acordo com o humor, começar o dia ensurdecendo os vizinhos com os riffs de AC/DC, faxinar ouvindo Pixote, correr na rua ouvindo funk, tomar banho ao som do xote dos milagres e ir dormir embalada por Nina Simone...A moça tinha fé na música, sua companheira de tantas e tantas fases. 

Não é possível resumir Ágatha em um único sentimento, porém, é nítido em sua face e seus trejeitos o tamanho da solidão que vive e sente. Mas isso é visto apenas aos olhos treinados, ela disfarça bem. Rainha dos disfarces, mas nunca do fingimento. 

Cantando o refrão de Hotel Califórnia, e na 3ª dose de whisky, suas unhas compridas e falsas passavam pelo celular buscando uma das conversas que já não são mais frequentes. Acolhida apenas por seus cabelos longos, jogada sem postura, e sem perspectiva de uma vida diferente, numa poltrona revestida milhões de vezes, devido aos arranhões dos gatos com que dividia espaço, Ágatha digitou e apagou repetidamente as palavras e sentimentos que desejava vomitar...Não era o álcool, não era o prato de comida de horas atrás, era insatisfação mesmo. Bem fria e sem gosto. 

No começo do mês se desfez de um relacionamento que estava resumido a troca de mensagens por sexo. Ágatha nunca negou uma foda, não fazia essa linha, no entanto, estava vivendo com tendinite tamanha a masturbação das noites em que não obteve resposta, por vezes não tinha tesão  nela mesma, mas tocava-se automaticamente, o tempo precisava passar e tirar de sua mente que queria companhia, algo além de mais força para penetrá-la, porém, sabia que um entrelace de dedos soaria mais ousado do que qualquer outro pedido e se calava. Esperava convites para transas corriqueiras, mas que durante algumas horas valiam a pena o tédio causado pela solidão. 

A vadia que nunca negou boquetes solicitados pela manhã, que sempre dava um jeito pra dar, se viu dando apenas nos dias em que seu par sentia vontade. E não se culpava por isso, tinha consciência do que estava se sujeitando e sabia o tipo com quem estava se envolvendo. Entretanto, sentia que um pau duro, coleiras, puxões de cabelo, tapas e xingamentos já não faziam sentido...já não vinham com o mesmo gosto. Ela decidiu que não era mais o sexo,  - pois, como diz o poeta, sei lá qual, as fodas são apenas isso, até que alguém decida que serão algo mais - , e por saber que não era mais transa, nem mesmo amizade, arriscou contato e despejou seu choro, seu pedido por reciclagem...Estava acostumada a ser tratada feito lixo, mas que fosse separada e jogada na lata certa pelo menos. 

A indiferença na resposta por sua súplica por carinho ardeu tanto ou mais quanto jatos de porra no olho. Foi difícil ler a mensagem que dizia "Você sabe que sou assim, não sei dar carinho. Só transo com você porque já transamos faz tempo, era meu caminho.Não respondo nem minha mãe, para de drama. Eu sou ruim e tu sabia disso, por que ainda sai comigo?" , mas não impossível de entender. Não era ela a escolhida para ser a mulher da vida de alguém, muito menos para receber uma atenção comum, Ágatha não desejava ser a religião de nenhum homem, mas algo bom em que ele pudesse contar nos bons e maus momentos, sem dízimo, sem punição, sem pecados. Coisa simples, coisa que ela acreditava.

Embora tivesse tido coragem de mandar a mensagem, não sabia como responder a pergunta "Por que sai comigo?", estava se desrespeitando claramente, não dava pra se permitir transar com alguém que estava a fazendo mal, e não saber o motivo dessa submissão. Perder a cabeça por conta de um sexo descompromissado e violento, sem conchinha, sem papo, sem álcool, sem nada não fazia parte dos planos de Ágatha. Talvez fosse o vício nas conversas iniciais cheias de interesse,ou simplesmente carência, talvez fosse a eterna briga de id, ego e super ego, talvez ela não merecesse uma foda melhor, talvez fosse só fogo no cu, ou todas as opções descritas. Vai saber...

Ela virou mais uma dose, daquelas que caem pesadas no estômago, e jogou o celular na lua. Foda-se, nenhuma notificação mais importa.O que mais deveria importar na vida de Ágatha? De nada valiam  suas tardes num motel de bairro, muito menos as vezes em que gastou o que deveria economizar, tampouco os dias em que passou dividindo seus sonhos, alegrias e tristezas,  a preocupação tola com a cicatriz de seus seios siliconados, as lingeries rasgadas, as mensagens de boa noite, me avisa quando chegar e sinto sua falta...nada, nada disso, nada valia mais. Era tarde, precisava dar um jeito em sua bagunça. "Tesão não é algo que se implora, muito menos o amor", pensou. Seguiu sua noite, simplesmente já não havia mais o que fazer. 


segunda-feira, 11 de junho de 2018

A METADE DO ANO É UMA ÉPOCA DE QUASES

A pior parte do inverno é que ele nem chega e as manias de frio começam em grande escala. Por exemplo, as mulheres nas ruas paulistanas todas com a mesma roupa: Calça legging preta, bota cano alto, casaco acinturado, cachecol, luvas... Umas arriscam colocar toucas e diferenciam-se apenas dessa maneira: umas usam gorros, outras não. Todas as mulheres são iguais, principalmente no frio. 

Ainda é outono, o inverno chega no dia 21/06, mas hoje ainda é o décimo primeiro dia do mês, no entanto, já começaram os festivais de sopa. Eu odeio sopa, mas gosto das festas de rua. Prefiro ensopados. Sopa é comida de dieta, comida de gente doente não combina com as comemorações juninas. Desisti de seguir regimes, também detesto qualquer clima semelhante ao de hospitais. 

Os meados do outono costumam trazer dias bonitos, sol forte durante a maior parte do tempo e noites geladas, ótimas pra mim que adoro dormir com cobertor. 

Junho é o mês dos quases, é quase ano novo de novo. É quase o fim de tudo de novo. Em junho tá quase todo mundo de saco cheio. Menos eu, eu permaneço insatisfeita o ano inteiro.

Porém, tenho que concordar que foram seis meses mais felizes do que o final de 2016 e o ano de 2017 inteiros. Meia dúzia de 30 dias que demoraram para começar psicologicamente e, sobretudo, sexualmente. E um fator está relacionado a outro, se um não está fluindo o outro empaca, e vice e versa.

É tudo quase muito bom, coisa típica de junho. Assim como as mulheres procurando aulas sensuais, e as lingeries de renda e as roupas de moletom em preço absurdamente mais alto. O sexto mês é recheado dessas coisas.

Foram 10 anos em seis meses, quase uma década, de quase envelhecer e rejuvenescer de novo. Da vontade de quase morrer só pra começar a viver de novo. É a metade do ano, é quase isso. É sempre quase. 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

VIVER É A VONTADE DE COMER DOCE E ABRIR UMA MASSA FOLHADA PELA PRIMEIRA VEZ

Desde ontem estava com vontade de comer uma torta que vi nesses sites que mostram coisas absurdas de tão gostosas e quase sempre impossíveis de se fazer.

Seria minha primeira vez abrindo uma massa folhada, a primeira tentativa de fazer algo delicado e trabalhoso. No video tudo parecia simples, farinha e água. Descanso. Margarina. Sal. Abrir e fechar até pareça bom, até quando não der mais pra abrir sem virar farelo.

Um tutorial simples, mas que vinha com avisos de mãe e amigas "cuidado, essa massa é complicada" "com margarina bosta não vai dar certo, mas tenta com essa mesmo" "eu nunca fiz e não farei, dá muito trabalho" "odeio cozinhar, só gosto de comer". Na cozinha, e em algumas situações da vida, é preciso uma torcida contra pra nos motivar.

Eu não queria simplesmente fazer um doce, o desejo era de me sentir capaz. Queria apenas o prazer de ver um plano realizado. Não fosse minha teimosia em ir pra cozinha, sem que o calendário indicasse alguma data especial, a gula de querer uma massa fina envolta de um chocolate meio amargo transformaria-se em mais uma das coisas que eu quis e deixei de lado.

E não foi fácil. A massa grudava no rolo, e eu sujei a casa toda com farinha, suei a testa, tirei a camisa, quis desistir e ir pra academia - que era onde eu deveria estar às 15h30. E hoje era dia de braço e mais tarde tinha Twerk. Agora eu só conseguia pensar que além de terminar aquele doce,  entrar naquela aula pra aprender a rebolar foi uma decisão pensada às pressas, com a desculpa de arrumar uma atividade física mais intensa. O que eu queria mesmo era ter mais atitude, ser mais importante. - Tem dias que preciso apenas ouvir uma música ruim e esquecer da vida por uns instantes. No entanto, hoje eu resolvi tentar uma receita diferente.

Abra a massa em sentido retangular, salpique farinha na mesa, nas cadeiras, no chão. Dobre. Repita. E era isso, assim como a vida. Gente falando que vai dar errado. O medo de não ter os ingredientes corretos. Seguir ordens. Querer surtar. Agir e esperar.

Cozinhar é o mais próximo que eu chego de realizar um sonho, assim como quando meus gatos deitam em cima de mim, é o mais perto que consigo chegar do amor e da parceria. Reflexão de cozinha mexe comigo, é estranho.

Pelo menos a torta ficou boa, o sabor do chocolate amargo é um dos mais saborosos na minha opinião, mas sabe? Acredito que a torta deveria ter ficado menos tempo no forno, eu não pré aqueci direito, e na tentativa de deixar a massa com mais cor, o recheio acabou endurecendo.

É a vida, existem uma porção de coisas que eu poderia ter feito melhor e com mais calma. Paciência.

sábado, 31 de março de 2018

TOP 10 PIORES NOITES #10 - EU SÓ SOU LEGAL EMBRIAGADA DANÇANDO HARD

Certa vez eu conheci um cara. Conheci bêbada, completamente alcoolizada, numa noite ridícula de hard rock no extinto Inferno da Rua Augusta.

Era madrugada, a música estava mais alta que qualquer um dos outros  sentidos, e provavelmente eu estava numa das minhas melhores, e mais vergonhosas versões, dançando num pole decadente e mexendo os quadris entre tantos outros ao som de pour some sugar on me... Música mais do que repetida nesse tipo de festa.

O cara estava lá, amigo de uma amiga, pagando bebidas e me vendo dançar e beber. Fazia poucas piadas, preferia os destilados às cervejas, mesmo assim não deixava de buscar os baldes de garrafas verdes pra dividir com o grupo inteiro. Ele permanecia calmo no meio das garotas que acompanhava, e apesar da barba na cara tinha tamanho, físico e olhar de um menino de uns 14 anos.

Não trocamos palavras naquela noite, mesmo assim, senti vontade de beijá-lo. Apenas porque ele me fitava como se eu  fosse algo anormal, e de certa forma, eu gosto de causar esse tipo de coisa nas pessoas. Desci e o surpreendi com um beijo, sem pretensão de ter mais nada com isso. Beijei, roubei um gole de seu  copo e fui ao banheiro. Não sou de muito papo nessas situações, e na minha cabeça aquilo acabaria ali mesmo. Tal como a descarga que levou parte do álcool ingerido pro esgoto.

O pequeno moço, apesar de demonstrar que gostava de estar comigo, era pouco transparente com seus demônios. Digo, eu não conseguia saber o que ele realmente queria de mim. Não conseguia me comportar como cadela, também não era carinhosa como uma namorada e nem tinha tanta intimidade pra conversar como uma amiga. E ele não me dava uma pista, um caminho simples pra saber como agir.

Existem coisas que nascem e morrem numa noite de Augusta, vocês sabem: colegas bêbados de banheiro, gente que troca ideia na fila, o papo interminável com a moça que elogia sua bunda no bar, e os amassos com o cara de roupas sérias e fachada de bom moço que frequentava o mesmo rolê.

Entre os finais de semana que saía comigo, ele também se encontrava com outra mulher. Mas com essa ele ia sozinho, e a locais mais apresentáveis do que os bares de rock do centro de São Paulo. Eu era solicitada para ajudar a encontrar um bom local para o encontro romântico.

Apesar de sempre estarmos juntos num clima de música, mulheres, cigarros e bebidas ser bem sugestivo, nada de mais acontecia entre nós. Eram beijos e palavras de carinho, tapas fracos, nada que enlouquecesse, tampouco incendiasse...

Enfim, ali na Penha perto da Tiquatira fica o Dunnas bar, ambientado por belas bailarinas de dança do ventre com decoração egípcia e música tranquila, fora a alegria e sedução que parecem energizar o ambiente. Ele sabia que eu amava aquele lugar e me perguntou se era um bom lugar para levar a moça séria com quem estava flertando.

Não posso dizer que a pergunta não me abalou, mas continuei a conversa bancando a indiferente. Ele insistiu "Tem algum motel lá perto?" e de verdade eu não sabia, respondi apenas que se ele queria bares e motéis próximos, deveria levá-la na Augusta mesmo. O rapaz admirador da minha dança e da minha falta de timidez riu da sugestão e afirmou que aquela garota não era do tipo que frequentava o nosso rolê, que o caso era diferente.

Então, pude concluir que não era amiga pra conversar sobre a vida. Não era a vadia que ele queria comer somente aos finais de semana. E muito menos a candidata à futura namorada.

Nunca quis o posto de deusa da vida de ninguém, porém, tinha consciência de que nossa relação era aquilo de estou feliz por estar com a menina que não tem vergonha de dançar no bar, e eu feliz por ter alguém pra beijar no meio do expediente.

Estaríamos quites, caso tivéssemos sido verdadeiros desde o início. No entanto era um vai, não vai. Cerveja morna na metade do copo que não dá pra jogar fora pra não desperdiçar e também que não é umas das coisas mais gostosas de beber. Não mata a sede.

Nossas vidas se separaram, o bom moço começou a namorar a boa moça que não servia para os motéis baratos e noites de open bar. Arranjou uma companheira que proíbia nossas conversas, me tirou de sua vida e eu segui meu baile. Continuei sozinha, bebendo e dançando à procura de qualquer coisa que divertisse. Carência minha, um dia eu explico.

O namoro acabou depois de alguns anos, e ele ressuscitou me tratando da mesma maneira de antes. Uma semi amizade morna com toques sem firmeza.

Agora eu já não frequentava a noite paulistana com frequência, e ele me conheceu sóbria. Sóbria na hora de almoço de um dia entediante de trabalho. A sobriedade chata do dia a dia. E mesmo aos beijos, na frente da empresa, aos olhos da secretária fofoqueira do chefe que pregava a moral e os bons costumes, nada em mim brotava... Talvez estivesse doente, ou apaixonada por outro, ou carente demais pra jogar limpo e dizer "eu não quero transar com você, mas ter sua atenção me faz bem". Talvez por não conseguir ler o que aquele cara realmente  queria de mim eu não conseguisse  ir adiante com aquele teatro. Enfim, situação de bosta que eu não sabia lidar.

Já havia entrado em fodas sem ter tesão, sem ter consideração  e intenção de cativar. Porém, com esse tipo era diferente. Eu tinha preguiça e por preguiça não conseguia prestar atenção nele, muito menos no que ele sentia. Pensava mais em mim do que por os pingos nos is daqueles encontros.

Foi numa noite véspera de carnaval que a falta de tesão se confirmou. Éramos mais um casal no bar, desses casais que incomodam os outros com seus beijos escandalosos. Beijos falsos da minha parte, pois podia ser com ele, podia ser com qualquer outro. Não eram encontros especiais. Tapávamos buracos. E não havia nada de errado com o rapaz, coitado.

Às vezes penso que ele seria um bom namorado, era o tipo de cara que derramava elogios e mensagens fofas. Atencioso e educado, um sonho. E como todo sonho faltavam verdades em nossas palavras. É bom ter alguém pra chamar de mozi, porém, costumo acreditar mais no tesão do que no amor e mais nos xingamentos do que nos apelidos carinhosos.

Embora ele me tratasse bem, não era o tipo de cara que me provocava, de verdade ele pouco conversava comigo, pouco reclamava da vida ou do trabalho, também pouco demonstrava interesse em sexo. Os opostos não se atraem, os comportamentos parecidos, sim.  Nós éramos diferentes.

Eu me contentava apenas em foder e ter com quem conversar. Sem status. Transar violentamente e dormir abraçados, rir de piadas idiotas e arrancar a roupa em qualquer lugar. Yin e yang. Já ele, eu não sei do que gostava.

Sem dúvidas essa convivência resultou na minha pior foda, pior por nunca ter acontecido, pior por não ter tido nem  ao menos vontade de começar.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

ROGANDO PRAGA EM RELAÇÕES QUE NÃO SÃO MAIS.

É muito bom te ver feliz, mas de verdade espero que se foda. Isso mesmo. Foda -se, milhões e incontáveis vezes. Vá pro inferno. Sofra. Chore e adoeça. Quero que se foda.

Não venha mais contar planos, não sou boa ouvinte. Já fui, daquelas que lembram detalhes esquecidos há séculos. Cada frase da conversa, eu lembrava. Eu lembro. Comento sozinha em voz alta. Mas não te ouvirei mais. Me recuso a participar de uma vida tão merda quanto a sua. Quero que se foda.

Até das piadas, que muitas vezes não achei graça, mas ri pra agradar. Coloquei um disfarce na cretinice, na intenção torpe, me ceguei pra sua burrice imensa, só porque o amor tem dessas. Mas agora caíram as máscaras, não restou nenhuma, a paciência se foi junto com o afeto e eu apenas quero que você se foda. Suma. Esqueça. Evapore.

Mas antes de partir eu desejo e espero que se  lembre de mim todos os dias, também que se se sinta um lixo por isso, foi o mesmo que aconteceu comigo. Eu praguejo quem está feliz enquanto eu estou triste. Eu sou ruim. Ruim egocêntrica e individualista. Principalmente quando deixo de me importar. Que se foda.

Nunca acreditei no sumiço, o pior tipo de gente some e volta falando que é uma pessoa ruim, que precisa de um tempo só, que só faz mal. Aquelas desculpas que tentam redimir um estrago gigantesco na vida do outro. Na minha, no nosso caso. Quer saber? Foda-se.

Foda-se você e suas histórias. Foda-se também a sua família. Sua carência. Seus sonhos e suas crenças. Foda-se, caralho. Já que pouco se importa, quero que se foda.

Tal qual o samba que diz que "não me comove o pranto de quem é ruim" e assim, mesmo que a mágoa acabe passando e você venha a se redimir, eu meu rebaixei aos seus modos. E de verdade, eu quero mais é que se foda.

Eu já não me importo.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PRA GENTE QUE NÃO CHORA

Eu vou falar sobre o ódio.
Sobre sentimentos ruins, talvez eu também fale sobre a inveja que sinto de gente feliz, a pior coisa que pode morar num ser humano.

Eu quero falar sobre a raiva, o estresse, os vícios e as vontades. Gritar sobre todas as coisas que não tenho, que já tive e que pretendo ter.

Estou falando sobre a saudade, sobre a carência, sobre a tristeza e os vazios infinitos que doem ali, bem na boca do estômago.

Dizer coisas sobre a sensação de frio na barriga, ânsia gelada. Aquele gosto de papel na boca. A má digestão de quem come papel higiênico molhado. O gosto ruim na boca de quem mastiga um papel cheio de merda. E vômito. E sabão em pó. E sagu, o pior doce do mundo.

Eu quero dialogar sobre sentimentos fortes, como a indiferença, por exemplo. Água quente e salgada numa queimadura de 2° grau.

Quero entender como vivem as pessoas que esquecem fácil. Perdoam. Não se abalam. Seguem em frente. Vocês que não comem e não vomitam ansiedade, por que conseguem viver assim?

Eu não pretendia abordar os demônios que moram na minha cabeça. Eu jamais teria a intenção de me abrir escancaradamente, chorar e sair correndo. Eu não quero falar sobre as minhas fraquezas.

Quero falar do medo, medo do passado. Medo de perder a mãe pra um infarto. Medo de ter que sair de casa. Medo de ter que se acostumar a viver só.

Essas palavras então são sobre mim, ou sobre parte minha. São um desabafo, uma respiração profunda. Coisa de gente que já não consegue mais chorar.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

EU SEI LÁ O QUE TO SENTINDO

Passei o primeiro mês do ano sem sentir absolutamente nada, além de preguiça de qualquer tipo de interação.

Logo eu, que fico animada e me iludo com qualquer convite, elogio ou conversa.

Meus dias são repletos de espera. Aguardo ansiosamente por mensagens "inesperadas", assuntos que rendam boas risadas. Queria mesmo era voltar no tempo. Eu guardo nudes e frases para ocasiões especiais. Depois me lembro que essas situações não existem. Fracasso.

A maior parte de minhas memórias está repleta de alegrias que não me permiti viver. É uma bosta, francamente...

Na verdade eu quase sempre estou pensando nas minhas melhores noites de sexo. Sempre.

Que nem foram tantas.  Não tantas quanto eu queria.

Meu desejo de atenção deve ser maior do que toda a libido presente no corpo. Antigamente, e bem antigamente, antes de saber das coisas que me moviam, eu acreditava que sexo era apenas isso e pronto.

Tenro engano. Pensamento virgem e egoísta. Egoísta e completamente virgem.

Nunca foi somente a foda, nunca. Sempre foi vontade de acolhimento, querer  pertencer à outra vida, ser de alguém, fazer parte da melhor parte do seu dia. Isso dava, e confesso que ainda dá certo medo. Mas há algum tempo, o que mais tem me assombrado é a maldita pergunta: Está sozinha?

E pra driblar o sentimento de bosta digo que não. "Não, estão me esperando lá dentro."

Eu minto nos bares, nos shows, nas conversas. Vivo sempre só e durmo o dia inteiro pra fingir que não. Pra fingir que não sinto nada. Que não sinto falta. Falta de você.