sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

PODERIA SER QUALQUER COISA, MAS NÃO É

Eu poderia discorrer sobre seios, bundas e coxas. Paus de variados tamanhos, corpos nus vestidos de desejo. Poderia ser apenas sobre isso, mas não é.

Posso abranger os mais nobres sentimentos, deixando a lealdade reger todos os gestos de parceria, recíproca e sororidade.

Você talvez se assuste, mas afirmo que pode confiar em mim. Me sentir além dos bruscos movimentos. Sentir cada pedaço meu, apenas por subentender minhas palavras. Todas elas.

Me fazia e ainda faço perguntas. Gostaria que tivesse boa vontade de me responder algumas delas. Você faz ideia de que, enquanto adentrava meu corpo, eu te entregava também minha alma?

Enquanto eu entrelaçava minhas mãos às suas, você tinha noção de que um pouco da minha vida passava a te pertencer?

Passou algum instante pela sua cabeça que a cada convite seu que eu aceitava,  aceitava também trazer suas histórias comigo?

Talvez minha maldita personagem, que insiste em ser autossuficiente,  tenha te enganado tão bem, ao ponto de que você jamais consiga acreditar no meu lado frágil.

Mas por favor, acredite.

Eu vou parar com isso.

E não é drama. Eu gosto de você.

Me faço de forte o tempo inteiro, porém, contigo me deixo levar. Gosto de cair num abraço, de me sentir amparada. De colo. Afeto. Bronca. Carinho. Massagem nas costas. Se olhar em silêncio. Virar a noite conversando.

Morder. Chorar.

Você sabe.

E tudo isso é sobre o quê então, se não é sobre amar seu pau e pedir por fodas incansáveis?

É sobre sentir. Sentir falta. Estar com saudades. Tédio e insatisfação.

Embora eu fale sobre corpos nus, meu maior  desejo é tocar almas nuas. Isso eu nunca li, nunca me ofereceram, nunca tomei. Recusei a aceitar.

E aí, que está errado em mim?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

ESTOU ABERTA, MAS NÃO ME TRATE COMO UMA PORTA.

Eu odeio retrospectivas, simplesmente porque não gosto de olhar para o passado.

Não respeito passados, nem os meus, nem os de ninguém. Talvez seja um defeito meu, ou minha maior virtude.

Detesto tudo que já passei e ouvi. Não detesto por egoísmo, eu apenas não gosto daquilo que não consigo esquecer.

Palavras e mais palavras ditas ao vento, coisas que senti e pensei serem recíprocas. Vontades deixadas de lado, sapos engolidos e vomitados em crises de choro e ansiedade.

Morri em 2013, não me recordo de nada antes disso. Em 2017 quem morreu foi minha saúde mental, minha paz de espírito, meu amor próprio...

Meu corpo testemunhou a merda que esse ano fez comigo, as memórias que eu desejo esquecer. Pra sempre.

Chorei de angústia e insatisfação com nem sei o quê de janeiro a dezembro. O ano financeiramente bom e pessoalmente terrível.

Quase sempre estive sozinha, e, quando recebi gestos de carinho, verdadeiramente me assustei. Uma mão nas costas, um abraço, uma conversa demorada... Tive pouco disso, não sei lidar.

Me assusto sempre com afagos e confissões. Eu não confio no sentimento de ninguém. A maior razão de odiar passados é não poder voltar e fazer diferente.

Minha sensação de par é aquela de que os homens da minha vida até podem gostar de transar comigo, mas não chegam a gostar de mim. Eu até me esforço, mas acabo por afastar... Desacreditar seria a palavra correta.

As amizades também vêm ao meu reino, no entanto, assim na terra como no céu, minhas vontades jamais são feitas, eu corro por eles. Eles bocejam por mim.

Eu ensaio a resposta aos seguranças de bares e shows "não estou sozinha, estão lá dentro me esperando"

É mentira. Não há ninguém esperando. Eu não estou na retrospectiva da vida de vocês. Eu simplesmente passei. De maneira rápida e insignificante.

A maior desgraça é lembrar de tudo com frequência. A cabeça não aguenta.

Ouvi dizer que palavras machucavam, ainda mais acompanhadas de lembranças ruins. Na realidade tudo dói. Principalmente no sábado à noite.

Ontem me disseram que meu defeito era caprichar demais. Eu discordo. Não há caprichos em mim, fui batizada na insanidade. Na intensidade. A personificação dos 16 toneladas.

Ainda bem que esse ano está acabando, e assim, todas essas malditas memórias eu finalmente poderei enterrar.

Eu peço que ano que vem você não me trate como uma porta. Pode até bater e me abrir, trancar, destravar e empurrar. Só não esqueça que diferentemente de todas as portas da sua casa eu sinto, sento e choro.

Não me importo.

A mentira deslavada que não canso de contar.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

NÃO ME PEÇA BOAS HISTÓRIAS. NÃO HOJE.

Não me peça paz na Terra e boa vontade, não hoje. Não com essa maldita cólica que estou sentindo.

Não me peça compaixão, sororidade, recíproca e paciência. Não hoje. Não nessa segunda-feira chuvosa parida de um final de semana marinado na ressaca e na solidão.

Não venha com essa de fazer o bem sem olhar a quem. Eu não estou de bom humor. Nem lembro quando estive.

Não esfregue sua felicidade, seus amores e muito menos suas conquistas e autoconfiança. Respeite o meu direito de me sentir um lixo. Olha, eu não estou afim de debater sobre desigualdade, sobre política, vida ou morte. Eu não quero nada. Nada.

Hoje não. Hoje sou quase nada.

Eu não quero que pense que estou a beira de tirar minha vida. Jamais teria coragem pra isso. Eu quero viver. Quero me me vejam bem e melhor que todos. Mas eu não tenho coragem de ser melhor, eu não me atrevo. Pelo menos não agora. Não essa semana. Muito menos hoje.

Só hoje, eu queria ser como uma dessas garotas normais. Dessas que todo cara se apaixona. Essas que parecem sempre lindas e limpas, não importa se é final do dia na linha vermelha lotada do metrô.

Essas mulheres que tem mil contatos, várias conversas, vários admiradores e são chamadas de amor. Eu sofro com ânsias fortíssimas, e faço silêncio. Apenas 1 minuto de silêncio pra um tipo de vida que nunca terei.

Hoje eu acordei com a certeza de que minha vida não será muito mais do que isso. E me conformei. Só hoje eu me dei conta.

Se aos 25 anos eu não tenho o amor da minha vida, vivo sempre só e sofro, mesmo dizendo que não. O que há pra mudar? Nada. Conformar-se. Conviver.

Não, hoje eu sei que paixões, amores, vidas compartilhadas, toda essa bosta de história bonita, nenhuma dessas coisas foi escrita pra mim ou por mim. Comigo tá sempre tudo bem. Ninguém se lembra. É drama. É frescura. Não há do que sentir falta, ou perguntar: você está bem?

Não. Especialmente hoje eu não estou bem. Não vou nada bem. Na verdade nunca andei bem. Mas sinto falta de poder simular aquilo que sempre quis ser.  E nego. Sempre negarei.

Eu, já me acostumei. Sou a última foda rápida de sábado à noite. Sem bom dia seguinte, sem boa noite, sem eu gosto de você. Muito menos eu te amo. Eu me contento em ser a companhia quando não há mais pra quem correr, o afago no ego da solidão alheia e o choro na minha própria treva. A sobra. Raspas. Restos. Meia tonelada de apenas migalhas. Essa sou eu, um punhado de mentiras de cabelo e peito falso.

Eu, sou e ofereço apenas isso. Nao fica nem quem quer. Eu espanto. Tudo. Todos. Eu me arrependi e me arrependo.

Apenas hoje já não quero mais. Só queria me sentir um pouco menos

sábado, 26 de agosto de 2017

ME DIZ DO QUE VOCÊ GOSTA EM MIM

Há certas inseguranças em minhas gavetas, poucas pessoas me destravam.

Há uma garrafa de Jack lacrada em cima da cômoda. Ele não bebe. Eu não bebo sozinha.

Há dias em que me sinto um monstro, eu já não mando nudes. Tenho vergonha de me exibir. Eu digo que não gosto de ficar por cima. Embora eu queira, eu escondo. Eu tenho dessas. Me acho grande demais. E eu sempre assusto alguém. Então eu me retiro. Coloco qualquer coisa na boca só pra ficar bem...

Ele me disse "eu gosto de você chupando", e eu não disse nada. Pensei em perguntar por que, mas deixei pra lá, tem coisas que eu gosto apenas de ouvir. Sentir. Saber.

Há um cinzeiro vazio no quarto. Ele não fuma.  Aquela era apenas uma conversa sobre nossas transas e amizade. Meu tipo de terapia. Os cigarros não eram necessários.

Eu disse "eu gosto de chupar" e ele balançou a cabeça concordando comigo. "É, eu percebi".

Ele perguntou "alguém mais transa com você assim, nessa loucura?" . E isso me lembrou de um tempo que talvez não volte mais. Talvez tenha me recordado de gente que eu deveria esquecer...

Eu respirei fundo .

Respondi "Só estou com você..." e claro, ele retrucou, não por não acreditar, mas talvez por vaidade. O ego masculino tem certas coisas inexplicáveis.

"Mas e os outros?" Ele insistia sempre em me fazer falar mais de mim do que das coisas que me rodeavam.  Sempre tive um jeito tosco de me demonstrar, fui me revelando aos poucos, mas pra ele já não era difícil escancarar meus demônios. Ele tinha se tornado mais um deles.

"Eu não transei com muitos, não do nosso jeito... Eram sempre coisas rápidas. Sem muito papo. Tive um amigo louco, talvez o único meio parecido contigo. Mas a doideira era diferente, éramos jovens e bêbados... A juventude tem dessas piras. Você manda em mim, é diferente."

Ele sorriu.

Não, não havia arrependimento das fodas antigas. - Confesso que ainda existem momentos de muitas saudades -  Acontece que as perguntas dele, nossas conversas pré e pós coito, me excitavam mais que do que qualquer preliminar. Talvez fosse isso que eu buscasse em outro, ou o que eu nunca tive antes, quem sabe fosse a única coisa que precisasse ter.

"E o que mais você gosta?" , de novo ele me enchia de perguntas, talvez por simples curiosidade, talvez por querer mesmo saber. Infelizmente eu sou dessas que menospreza o sentimento alheio. Egoísmo leonino é algo difícil de explicar.

"Gosto quando me come no chão"

"Gosta? Por quê?"

"Me sinto vadia, me sinto sua... Gosto do jeito que manda em mim, sei lá. Algo em você me deixa ser cadela e me sinto bem assim."

"É, você não presta."

Eu sorri.

Eu não sinto falta dos porres, muito menos das madrugadas viradas por nada. Aprendi a me embreagar com conversas simples. Eu prefiro não prestar

Há grandes incertezas em meu caminhos. Não sei mais se quero voltar e dizer o que ainda me faz e engasgar. Tem dias em que o arrependimento bate mais forte que a loucura e eu peço desculpas, só por ser hipérbole assim.

Ele me disse

"Pode ser louca. Eu gosto"

Então, apenas olhei pro meu passado e finalmente desisti. 

domingo, 13 de agosto de 2017

NÃO SE ENGANE COMIGO, EU NÃO NASCI ASSIM

Não se engane comigo, não me elogie esperando algo em troca, ou mesmo que não espere nada de mim. Não se engane com esse meu jeito todo, eu não nasci assim.

Não se engane comigo, meu sorriso é forçado. Meu cabelo é aplicado e esse decote eu comprei também. Não se engane comigo, eu não estou sempre assim.

Não se engane comigo, eu não estou com você porque não há mais ninguém. Eu fico porque gosto. Eu chamo porque sinto falta. Eu choro e não conto pra ninguém. Não se engane comigo, eu sempre te quis bem.

Não se engane comigo, eu te queria antes mesmo de saber de ti. Talvez fosse coisa do destino, quem poderá um dia nos destrinchar e explicar cada um de nossos pedacinhos?

Eu sou louca, e nem percebo. Eu sou feita de brutalidades, eu transpiro intensidade e é por isso que sigo avisando: Não se engane comigo, pode parecer que eu não ligo pra nada, mas acredite, eu ligo sim.

Olhe, não se engane comigo. Eu sou capaz de sair no meio da noite só pra ouvir sua voz. Eu posso me desdobrar pra satisfazer seus anseios. E eu me desdobro. Você sabe e eu também sei.

Mas, não se engane comigo, caso eu caia na real e descubra que estou amando, e me transbordando desse maldito sentimento em vão,  das suas madrugadas me despeço e levo apenas um cigarro e um drink nas mãos.

Pare de se enganar comigo, eu não sou simpática. Eu não gosto de gente, eu fui parida assim. Já sonhei em ser a menina pequena e delicada, noiva de todas as festas juninas, vencedora de todos os concursos escolares. Eu chorei. Eu ainda choro quando me lembro que jamais serei assim.

Não se engane comigo, delicadeza não é meu forte. Os carinhos sim, desde que intensos e absurdos. Eu não tenho noção de força e se algum dia te assustei, foi simplesmente por amar, mas com medo de demonstrar fraqueza.

Não se engane comigo, não me subestime, não tire conclusões precipitadas sobre mim. Chega mais perto. Manda mensagem, me liga, diz o porquê ainda gosta de mim. 

Não se engane comigo, sofro de uma ansiedade forte e não falo contigo pois tenho medo de me entregar e fazer com que você fuja de mim.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

ESSA É PRA VOCÊ QUE NUNCA PERGUNTA SE EU ESTOU BEM

Eu não tenho mais estômago pra fingir que estou bem
Eu não tenho mais vontade de acreditar que vai ficar tudo bem
Eu não sei mais não gritar de saudades
Eu ainda não aprendi a deixar de enlouquecer e não entrar em desespero
Eu não sei parar de sentir falta dos seus olhos de tâmaras fitando cada marca do meu corpo
Eu não parei de enjoar nas crises de ansiedade
Eu ainda tenho ânsia de vômitos quando fico muito nervosa
Eu já não danço mais
Eu sou convidada pra festas. Eu prefiro ficar em casa
Eu desaprendi a seduzir
Eu ainda chego beijando e pedindo cerveja
Eu não consigo mais beber muito
Eu já não sei mais o gosto dos drinks fortes
Eu ainda não tenho boas histórias pra contar
Eu não sei mais jogar charme. Conversa fora. Madruga e meia.
Eu não me visto mais pra impressionar
Eu não procuro roupas fáceis de tirar
Eu já não tenho ânimo. Eu nem sei o que é ter, ou ser, ou realmente querer
Eu ainda consigo gargalhar até engasgar, mas faço isso poucas vezes
Eu não abro mão das minhas noites de sono
Eu ainda gosto de você
E eu não te quero por perto
Eu pouco escrevo
Pouco danço
Pouco me encanto
Eu já não sei mais sonhar
Eu espero ainda bons finais de semana
Os bons finais de semana acontecem 3 vezes no ano, se muito
Eu ainda não tenho paciência
Eu falo alto demais
Eu não confio
Jamais acredito em elogios
Eu acho que tudo é um teste, tudo me bota pra baixo
Eu ainda sou facilmente esquecida
Ainda todos me deixam de lado
Eu acho que se viram muito bem sem mim
Eu não deixo de puxar conversa, de caçar assunto...
Mas eu canso muito.
Eu não chamo pro ringue. Eu não sei lutar.
Quase sempre eu desisto. De tudo. De todos, mas principalmente de mim.
Eu ainda imagino noites que não acontecerão.
Eu me arrependo daquelas que já se foram
Eu busco afeto
Eu sofro
Mas eu finjo. Sempre finjo que não.

terça-feira, 16 de maio de 2017

NÃO É UM FOGO LEVE QUE EU PEGUEI

Me pego com vontades súbitas no meio da tarde, sei lá, aquela fome que dá do nada. Um desejo maluco de tudo que não tem na geladeira.

Pediram comida no trabalho, mas eu não estava na sala e fiquei sem nada. Devo estar  com uma cara de quem não come há séculos, me disseram pra ligar e adicionar alguma coisa ao pedido, fala sério... Minha fome é grande, no entanto a vontade de evitar contato com desconhecidos é ainda maior.

Eu queria sei lá,  acho que queria você. Fazer uns filés de suas coxas, tostar suas orelhas na grelha. Te dar umas mordidas, só de tira gosto.

Ah! Que vontade que eu estou de chupar você, lamber seus olhos e engolir suas veias. Mas isso não consigo pedir por delivery... Triste.

Me resta então tomar um café, aguardar o horário de bater o ponto e pensar nos convites que recusei, aqueles banquetes que me neguei a participar. Devo ter me privado de tanta foda boa, digo, sopa. Não, odeio sopas. São das fodas que sinto falta mesmo. Ah, isso é besteira. Se fue.

Eu não te quero vindo simplesmente porque pedi, ou porque está só, menos ainda te quero do meu lado com o se eu fosse a opção mais em conta do cardápio.

Não me apetece te ver quando posso, não curto essas modernidades. Me abre o apetite saber que estamos juntos porque sentiu vontade de mim, pelo simples fato de que te dou fome... Vamos fazer aquela dieta das cavernas?  Ainda vou enlouquecer. Preciso dar um jeito nisso, me saciar de ti e encontrar algum tipo de paz .

Transa comigo, me leva pra comer um dog, vai? Passa a tarde toda reclamando de alguma coisa ou ouvindo música, te quero com acompanhamentos extras. Muita manteiga, pimenta e sal, tudo sobre nós é temperado na hipertensão.

Já não sei o que é um olhar faminto em minha direção, me ajuda. Faz um marmitex caprichado, me enche de porções suas, sirva-se nu e crú.  Mas vem cá, fica pertinho. Não se assuste, não. Eu não mordo. Eu engulo tudo de uma vez.  Não sou adepta do pecado da gula, só estou com muita fome.